Nesta segunda feira (02), a Editora Entrelinhas lança o livro “A Economia Contemporânea de Mato Grosso”, uma coletânea de artigos desenvolvidos por vários profissionais que, sob diferentes óticas, estudam, acompanham e interpretam a trajetória de sucesso da economia de Mato Grosso.
A obra contou com patrocínio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, por meio de emenda parlamentar do economista e deputado estadual Thiago Silva.
Tive o privilégio de coordenar e organizar o conteúdo do livro que disserta de forma pragmática e científica sobre a evolução contemporânea da economia mato-grossense, suas bases estruturais, estágio atual e tendências futuras.
O diferencial do livro está no fato que as abordagens não são feitas apenas por um autor especialista, mas por vários economistas e pesquisadores especializados em diversas áreas, todos com sólido conhecimento específico, resultado de longos anos de estudos, pesquisas, defesas de teses acadêmicas e vivências práticas, com plena liberdade de expressão e forma da abordagem de cada tema.
O Professor-Doutor da Faculdade de Economia da UFMT Fernando Tadeu de Miranda Borges abre o livro com detalhada análise crítica dos ciclos econômicos que sustentaram a economia estadual desde a sua povoação até os dias atuais.
Em seu capítulo o cientista político Vinicius Carvalho mostra como as coalizões e os arranjos políticos contribuíram para garantir a governabilidade em momentos sensíveis da história política estadual e, por conseguinte, estabelecer as condições para Mato Grosso dar o grande salto de crescimento econômico.
Os economistas e pesquisadores das finanças públicas estaduais, Guilherme Frederico Müller e Ricardo de Almeida Capistrano, desenvolvem tese interessante, mostrando, com base em uma série de dados e indicadores do período 1995-2025, como o equilíbrio fiscal das contas estaduais foi fator decisivo para o estado se destacar entre as economias regionais que mais crescem no Brasil.
Os economistas Sílvio Pereira Rangel e Vanessa Gasch Harris descrevem com primazia a trajetória e importância da indústria estadual, desde a incipiente indústria de açúcar e aguardente às margens dos rios Cuiabá e Paraguai, a industrialização de carne bovina nos chamados “saladeiros” e o processamento de chás e chimarrão a partir da erva mate. Mostram como o atual parque industrial mato-grossense, nas áreas de agroindústria, madeiras perfiladas, mineração, alimentos, bebidas, biodiesel e etanol de milho, estabelecem as condições para Mato Grosso ser uma economia industrializada, além de fenômeno agropecuário.
O jovem economista Juan Bolsoni discorre sobre o papel do agronegócio e da agropecuária como locomotivas da atual matriz econômica do estado, ancorada na produção de cereais, oleaginosas, leguminosas, carnes, algodão e madeiras, dando tração ao modelo agroexportador que ajudou Mato Grosso a alcançar ritmo de crescimento chinês nas últimas quatro décadas.
O economista Vítor Galesso, demonstra que a partir de 1997 o comércio exterior tornou-se peça de grande relevância para o progresso econômico do estado, visto que o modelo agroexportador transformou a economia de Mato Grosso em uma grande plataforma exportadora, tendo o mercado global como um dos seus maiores compradores. Além de abastecer o mercado doméstico e contribuir de forma expressiva para a geração de superávits na balança comercial do país.
O pesquisador André Luís Torres, utilizando elementos de sua tese de doutorado, desenvolve argumentação bem atualizada que demonstra a importância da sustentabilidade ambiental e o avanço da bioenergia para que o desenvolvimento do estado seja sustentado, inclusivo e duradouro.
O economista e sociólogo Maurício Munhoz escreve capítulo mostrando que Mato Grosso, mesmo sendo considerado um caso de sucesso econômico nacional e mundial, ainda não conseguiu avançar de forma satisfatória na redução das desigualdades sociais e regionais e debate as condicionantes para que o desenvolvimento estadual seja mais inclusivo, sustentável e melhore as condições de vida da população de menor renda.
Além da coordenação geral do livro, escrevi o capítulo sobre a nova matriz econômica de Mato Grosso. Descrevo breve leitura dos ciclos econômicos da economia do estado e procuro demonstrar, com base em um conjunto de dados, evidências e indicadores estruturados, como a industrialização da produção local se tornará a nova matriz econômica de Mato Grosso. A principal referência empírica é a “Revolução Industrial Verde” da indústria do etanol de milho. Iniciada em 2006, teve um grande salto a partir de 2015 e transformou Mato Grosso no maior produtor de etanol de milho do Brasil. A industrialização e a agropecuária serão as duas grandes forças motrizes do desenvolvimento econômico de Mato Grosso nas próximas décadas.
Todos os coautores esperamos ter contribuído para um melhor entendimento da dinâmica econômica de Mato Grosso e na construção do novo ciclo de desenvolvimento econômico e social.
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