É razoável pensar que, em um mundo evoluído, a paz prevaleceria e as guerras seriam apenas vergonhosas memórias de tempos violentos e incultos.
Assim, é forçoso constatar que a escalada de discursos e ações bélicas observadas em diversas partes do mundo representa um sintoma de inegável atraso espiritual e retrocesso civilizatório.
Há quem tente justificar a guerra, ora culpando a natureza humana, condenada a perpetuar a lei do mais forte, que remonta às cavernas pré-históricas; ora invocando uma vontade divina, segundo a qual humanos que não professam a mesma fé não são irmãos, mas inimigos.
Não! A guerra não é uma ordem de Deus ou um destino da humanidade. A guerra é fruto da ganância e do ódio, da mentira e da loucura.
Há também quem associe o amor pela paz à covardia, ao conformismo, à inação ou a um idealismo utópico desconectado da realidade material. Nada mais equivocado.
Sem dúvida, o sonho da paz foi inspiração para um sem-número de artistas. John Lennon imaginou todas as pessoas vivendo a vida em paz.; Gilberto Gil lembrou que a paz é feita de amor; e Pablo Picasso, que pintou o horror da guerra em ‘Guernica ‘, com alguns simples traços criou a Pomba, hoje símbolo mundial da paz.
Contudo, a paz é mais do que uma ilusão apaixonada de um poeta. Enquanto a guerra distribui destruição, dor e morte, a paz tem o poder de criar felicidade, como registrado no imortal discurso final do filme ‘O Grande Ditador’, de Charles Chaplin.
A paz, ensinou-nos Nelson Mandela, não é a simples ausência de conflitos, mas a criação de um ambiente onde todos possam florescer. Para o Papa Francisco, a paz precisa ser construída e, como qualquer construção, ela requer compromisso, colaboração e paciência. Ela nasce da justiça, da cultura do cuidado, do perdão e da fraternidade.
Construir a paz exige mais coragem, disciplina e desprendimento - e envolve mais riscos - do que iniciar uma guerra.
Cada um de nós pode contribuir para criar espaços de paz na vida humana: na família, nas atividades profissionais e nas ações comunitárias. Todos podemos ajudar a construir uma cultura de paz, na qual os heróis não são os que disparam mísseis contra civis, deixando um rastro de crianças órfãs e mutiladas, mas aqueles que dedicam um pouco do seu tempo, do seu conhecimento ou dos seus bens para alimentar, amparar, curar, instruir, alegrar e dar esperança a outros seres humanos.
A paz não é uma utopia impossível, mas algo concreto e belo que está ao nosso alcance conquistar.
(*) LUIZ HENRIQUE LIMA é professor e conselheiro independente certificado.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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