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Artigos Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026, 10:16 - A | A

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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026, 10h:16 - A | A

JOÃO HENRIQUE

O ano em que a bola rola

O campo, cheio de “estrelas” carimbadas, vira palco de análises políticas, as mais variadas, e um contexto em que a chamada polarização ainda se impõe

JOÃO HENRIQUE FARIA

Brasil, país do futebol. Será? O ano de 2026 promete muita torcida e tem gente querendo entrar no jogo pelas beiradas. Copa do Mundo de Futebol? De um lado, sim. De outro, destinos mais sérios entram em campo e os diversos técnicos, já calejados, traçam estratégias e buscam reforços na tentativa de embolar o meio de campo para adversários.

As eleições de 2026, que definem, em especial, o novo Congresso (totalidade da Câmara Federal e 2/3 do Senado), novos governos estaduais, Presidência da República e, sim, por último, novas Assembleias Legislativas, incluindo a Distrital do DF, prenunciam-se como as mais confusas e imprevisíveis dos últimos tempos.

Os donos da bola
dominam o jogo?

O ex-presidente da República, preso e inelegível, Jair Bolsonaro, segue dando as cartas no campo da extrema direita. Lula, por seu lado, dá as cartas no campo progressista. E entra no jogo, querendo assumir titularidade, o rei dos vestiários, entenda-se bastidores, Gilberto Kassab.

Até o presente momento, estes três são os donos da bola. Entretanto, o que move as discussões e análises, hoje, são as movimentações do terceiro, correndo por fora na busca de viabilizar uma candidatura do seu PSD à Presidência da República. Kassab, que já tinha Eduardo leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), consegue atrair Ronaldo Caiado (GO) para o seu time.

Centro-direita
entra no jogo

Três presidenciáveis em um mesmo time, disputando uma vaga. Mas qual o campo que impera nestas escolhas de Kassab? Certamente o campo que une direita e extrema direita, com Caiado, fundador lá no passado da União Democrática Ruralista (UDR), que pregava o uso de armas no campo, dentre outras coisas, e Ratinho Júnior, que até pouco tempo reivindicava a vaga da extrema direita bolsonarista para a disputa nacional.

Sobra um Eduardo Leite, ainda tímido, vindo de uma vitória apertada para o governo do Rio Grande do Sul, e que representaria um movimento de Centro. No campo da expressividade eleitoral, tratando-se de eleições estaduais, Caiado e Ratinho certamente estão à frente de Leite.

Quais as consequências
do movimento do PSD?

Mas tais movimentações do PSD, ao fim e ao cabo, trazem que consequências? De um lado, há aqueles que acreditam em um movimento de terceira via para, de fato, disputar com chances a Presidência, com base naquela informação de que tem 30% pra e lá e 30% pra cá, somando 60%, entre bolsonaristas e lulistas, consolidados, e que haveria 40% do eleitorado solto, que pendem ou se dividem, a cada eleição – pensando em 2018 e 2022 –, pra lá ou pra cá.

Há também aqueles que veem de forma diferente tais movimentos, cujas opiniões se desdobram, posteriormente, em duas correntes. O movimento de Kassab reduz os times e faz com que dois dos possíveis presidenciáveis fiquem de fora, o que de fato já se concretizou – a ver, porque aqui é Brasil e até 4 de abril, data limite de mudanças partidárias, tudo pode acontecer.

Para esta vertente, que preconiza o óbvio, duas correntes se apresentam. De um lado, aqueles que acreditam poder puxar os eleitores da direita e, de fato, passarem a ter peso na disputa, reduzindo o poder de fogo de Flávio Bolsonaro, pela união de três presidenciáveis. Isso poderia dar chances ao PSD de almejar alcançar um segundo turno – primeiro passo lógico de todo e qualquer adversário de Lula, que, salvo algo muito, mas muito relevante do ponto de vista negativo, já tem Lula assegurado.

De outro lado, tem
o ganho para Lula

Outros analistas tendem a pensar que a movimentação de Kassab beneficia Lula, justamente pelo motivo acima – enfraquece a extrema direita de Flávio Bolsonaro, mas não tem força suficiente para chegar a um segundo turno, tendo em vista a divisão do próprio PSD, que em alguns estados tem suas lideranças já fechadas com a candidatura à reeleição de Lula. Exemplo maior disso, até mesmo por sua pujança eleitoral, é o estado da Bahia.

Portanto, tal movimentação não apenas daria em água, mas abriria a possibilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno. Esta é uma oposta que, pelos números das pesquisas recentes, dos mais diversos institutos, não é difícil de ocorrer, a depender, novamente, da performance do governo Lula nos próximos meses.

Mas o que, de fato,
está em jogo aqui

Pensando em todas estas possibilidades, o que passa pela minha cabeça, e aqui vem a minha inferência primeira e única neste artigo, é o desejo de Kassab estar voltado não para 2026, mas para 2030. Toda e qualquer movimentação voltada para a sucessão de Lula, considerando-se que se reeleja este ano, terá sido iniciada em 2026, abrindo-se um novo campo, de centro-direita, mas que desta vez não seria apenas um número no pêndulo decisório daqueles 10% que decidiram nas duas últimas eleições, mas iniciaria o processo já encorpado com o recall das eleições de 2026. E isso passa também pela eleição de deputados federais, senadores e governadores, em 2026, claro.

Claro também que, quando há uma sucessão após dois mandatos, o número de candidaturas tende a ser maior. Caberá a Kassab saber manter e ampliar sua liderança, agir sobre as eleições municipais de 2028, em especial nas capitais, e torcer para que o PT, em um quarto mandato de Lula, não brilhe.

Se 2026 é o ano das eleições mais complexas de todos os tempos no Brasil, inclusive em função das disputas no Senado, o que deverá ser tema de outro artigo, 2028 também será essencial para 2030.

Enquanto a bola rola, vamos continuar a acompanhar as bolas de cristal dos nossos analistas políticos.

(*) JOÃO HENRIQUE FARIA é Mineiro. Consultor Político. Estrategista. Jornalista. Professor Universitário. Proprietário da Fator Inteligência e Marketing, empresa há 22 anos no mercado, especializada em Marketing Político Eleitoral e Governamental. Foi Estrategista e/ou Coordenador em 103 campanhas eleitorais para o Executivo e Legislativo. Trabalhou por 11 anos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. É cofundador da Alcateia Política. Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político). Palestrante do COMPOL. Professor universitário desde 1991, coordenou o primeiro curso de pós-graduação em Marketing Político do Brasil, na Escola do Legislativo da ALMG. Hoje está à frente da disciplina “Comunicação e Marketing Político - Eleitoral e Governamental”, na pós-graduação em Comunicação Pública e Governamental da PUC Minas e coordena consultorias para prefeituras e câmaras municipais no campo do Diagnóstico Organizacional, Planejamento e Comunicação e Marketing. Criou e é um dos organizadores dos seminários “Marketing 360 para Mandatos”.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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