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Artigos Sexta-feira, 26 de Junho de 2026, 08:55 - A | A

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2026, 08h:55 - A | A

KEYDSON BARCELOS

Geopolítica da inteligência artificial    

KEYDSON BARCELOS

Em plena Copa do Mundo, com o planeta inteiro de olho no campo, o governo dos Estados Unidos tomou uma das decisões mais impactantes da história recente da tecnologia: proibiu que cidadãos estrangeiros acessem as inteligências artificiais mais poderosas já lançadas pela Anthropic, empresa americana criadora do Claude. A ordem chegou numa sexta-feira à tarde, por carta, sem explicação detalhada e sem aviso prévio decente. O resultado foi imediato: os modelos foram desligados para o mundo inteiro.

Os modelos em questão se chamam Fable 5 e Mythos 5. O Fable 5 seria o assistente de trabalho mais capaz já disponibilizado ao público em geral — superior a tudo que existia antes em raciocínio, escrita, pesquisa e execução de tarefas complexas. O Mythos 5 é o mesmo modelo, mas sem restrições: capaz de identificar vulnerabilidades em sistemas críticos com uma eficiência que, segundo o próprio governo americano, representa risco à segurança nacional.

O motivo oficial foi a descoberta de uma técnica de "jailbreak" — uma forma de contornar os mecanismos de segurança do Fable 5 e liberar capacidades que deveriam permanecer bloqueadas. Washington entrou em pânico e agiu rápido. A Anthropic cumpriu a ordem, mas discordou publicamente dela, argumentando que a mesma lógica poderia paralisar todos os lançamentos futuros de IAs de ponta no setor.

O que poucos sabem é que a história tem camadas. Nos meses anteriores, a empresa já vivia uma briga com o Pentágono, que exigia usar o Claude para fins militares sem restrição alguma. A Anthropic recusou. A partir daí, figuras do governo Trump passaram a atacar publicamente a empresa, chamando-a de "woke" e "esquerdista". Um juiz federal chegou a bloquear uma proibição anterior, classificando-a como retaliação política inconstitucional.

Mas isso é maior do que uma briga corporativa. Estamos vendo os Estados Unidos usarem o controle sobre a inteligência artificial como instrumento de poder — do mesmo jeito que fizeram antes com semicondutores, satélites e software. Não é novidade na história americana. O que é novo é a velocidade. E o fato de que dessa vez, o que está sendo controlado pensa.

(*) KEYDSON BARCELOS é especialista em IA nos Negócios pela PUC-PR (cursando).

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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