O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), lamentou a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e outros servidores sobre um suposto esquema de propina. Max ainda afirmou que pretende aposentar o procurador concursado Grhegory Paiva Pires, preso preventivamente, caso ele retorne ao Legislativo.
“Lamentar, dizer que realmente nos deixa bastante preocupados, porque isso não é bom para o nosso Estado, não é bom para o Estado de Mato Grosso e realmente, se o que está ali for comprovado, realmente é muito grave, é muito sério e tem que ser tomado providências da mesma magnitude”, declarou em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (4).
O parlamentar também declarou que o Legislativo acompanha o andamento das investigações e poderá adotar providências dentro de suas atribuições, caso sejam identificadas irregularidades que envolvam a instituição ou seus servidores.
“Eu acredito que isso aí vai ser muito bem apurado, levantado e a sociedade vai acompanhar isso de perto e a Assembleia Legislativa também. Então, nós vamos confiar nesses órgãos. Aquilo que for papel da Assembleia fazer em relação a isso, nós vamos tomar todas as providências. Eu falo enquanto Parlamento Estadual e eu tenho certeza que eu vou contar com o apoio de todos os deputados”, afirmou.
Questionado sobre a situação de Grhegory Paiva, Max explicou que o procurador pertence ao quadro efetivo da Assembleia, mas estava cedido ao Tribunal de Contas para exercer a função de consultor jurídico-geral. A transferência ocorreu a pedido do próprio TCE-MT, sem custos de remuneração para o Legislativo estadual.
“No caso específico do Grhegory, o Tribunal de Contas falou que tinha essa necessidade, que precisava desse profissional e a gente liberou. Por quê? Porque não tem ônus nenhum para a Assembleia Legislativa, não é a Assembleia Legislativa que paga o seu salário, é o Tribunal de Contas que paga”, explicou.
Grhegory integra a carreira de procurador da ALMT e está cedido ao TCE-MT desde 1º de fevereiro de 2020. A transferência foi prorrogada por três termos aditivos, sendo o mais recente válido até 31 de janeiro de 2028. Embora a remuneração seja processada pela Assembleia, as despesas são ressarcidas pelo Tribunal de Contas.
O procurador foi exonerado do cargo de consultor jurídico-geral do TCE-MT nesta terça-feira (3), por determinação do presidente em exercício da Corte, conselheiro Waldir Teis. A medida, contudo, não representa sua demissão do cargo efetivo na Assembleia.
Sobre a possibilidade de retorno do servidor ao Parlamento estadual, Max afirmou que não pretende mantê-lo em atividade na instituição e manifestou o desejo de que ele seja aposentado.
“Eu, particularmente, quero Grhegory aposentado, então, não retorna para a Assembleia. Foi servidor da Assembleia Legislativa. Agora, a gente não pode generalizar um servidor da Assembleia Legislativa que comete algum ilícito, faz algo errado e colocar num bolo de todos os servidores da Assembleia. Nós temos ótimos servidores, comprometidos e honestos”, declarou.
Apesar da manifestação, o presidente reconheceu que eventuais medidas contra o procurador dependem de procedimentos administrativos e do respeito às garantias legais asseguradas aos servidores concursados. A aposentadoria também depende do preenchimento dos requisitos previstos na legislação, não podendo ser aplicada simplesmente por decisão da presidência da Casa.
“Porque um concursado público, você não tem como se exonerar. Você tem que abrir um PAD, um procedimento, uma investigação, tem todo um processo, porque, se você fizer qualquer medida diferente disso, é anulada dentro de 30 dias”, justificou.
OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS
Deflagrada em 29 de outubro, a Operação Tomada de Contas investiga um suposto esquema de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro dentro do Tribunal de Contas de Mato Grosso. A apuração da Polícia Federal identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas, que somaram R$ 75,8 milhões em um período inferior a dez meses de 2025.
Segundo os investigadores, contratos administrativos teriam sido utilizados para pressionar fornecedores e favorecer a liberação de pagamentos, enquanto valores também seriam movimentados por mecanismos financeiros fora dos procedimentos regulares de remuneração de servidores e conselheiros.
Além de Grhegory e Sérgio Ricardo, também foram presos Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A Justiça ainda determinou medidas de afastamento de integrantes da Corte de Contas e o sequestro de bens relacionados à investigação.
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