O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manifestou preocupação com a possibilidade de redução dos repasses do Governo Federal em 2027 e afirmou que a capital poderá enfrentar dificuldades financeiras no próximo ano, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante desse cenário, o gestor anunciou que pretende adotar medidas de contenção de despesas para evitar o comprometimento das contas públicas, especialmente com gastos relacionados à folha de pagamento.
“Muitos municípios vão ter dificuldade financeira no ano que vem. Eu vi isso no mandato do Lula em um determinado momento, que muitos prefeitos foram lá reclamar que não estava tendo mais repasse, ainda mais no início do mandato do Lula teve essas dificuldades. E agora, a tendência do ano que vem é ter os municípios passando muita dificuldade com repasse”, afirmou em entrevista à imprensa.
Embora a redução dos recursos ainda seja uma projeção, o prefeito defende que as administrações municipais se antecipem a possíveis dificuldades na arrecadação. Em Cuiabá, ele afirmou que pretende rever despesas para evitar que o município assuma compromissos financeiros sem a garantia de receitas suficientes para custeá-los.
“Eu já me preocupo com várias cidades do estado de Mato Grosso, inclusive vou tomar medidas aqui no município de Cuiabá de contenção, porque a gente não pode confiar que em 2027 a gente tenha um repasse adequado”, declarou.
A preocupação também envolve o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que estabelece limites para os gastos públicos em relação à receita dos municípios. Segundo Abilio, mesmo quando a arrecadação própria apresenta crescimento, uma eventual queda nas transferências federais pode anular esse avanço e comprometer o planejamento financeiro das prefeituras.
“Eu faço um alerta a todos os municípios, cuidado com a lei de responsabilidade fiscal, porque aumenta a receita própria do município, mas diminui o repasse do governo federal. E quando diminui o repasse do governo federal, o município que teve o aumento de receita, ele ficou no zero a zero”, explicou.
O prefeito destacou que o risco é maior quando as administrações projetam aumentos permanentes de despesas, como reajustes salariais e ampliação da folha de pagamento, com base na expectativa de crescimento da arrecadação. Pela legislação, o Poder Executivo municipal pode comprometer até 54% da receita corrente líquida com despesas de pessoal.
Ao atingir 51,3%, entra no chamado limite prudencial, que impõe restrições ao aumento desses gastos. Dessa forma, uma frustração de receita pode elevar proporcionalmente o peso da folha de pagamento sobre o orçamento, mesmo sem novas contratações ou reajustes.
Além de alertar os gestores públicos, Abilio também recomendou cautela à população e aos empresários na realização de investimentos, diante das incertezas econômicas que, em sua avaliação, poderão marcar o próximo ano.
“O ano de 2027 será um ano muito difícil, aí é um alerta, você que está preocupado em fazer investimentos e tudo mais, faça investimento seguro, não faça investimento de risco, faça investimento seguro”, disse.
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