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Política Sábado, 22 de Agosto de 2026, 14:10 - A | A

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FEMINICÍDIO EM MT

Gisela diz que fala de Galvan pode “naturalizar” violência contra mulheres

Candidata a vice-governadora rebateu questionamentos do candidato ao Senado sobre leis de gênero e alertou para os alarmantes índices de feminicídio em Mato Grosso

BIANCA MORTELARO
Da redação/Do local

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GISELA SIMONA .jpeg

A deputada federal e candidata a vice-governadora de Mato Grosso, Gisela Simona (União Brasil), classificou como “grave” o posicionamento do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) sobre feminicídio e a legislação de proteção às mulheres. As declarações de Galvan, feitas na quarta-feira (19), questionaram a necessidade de leis específicas para crimes contra mulheres, compararam a diferenciação jurídica ao sistema de cotas e atribuíram os assassinatos à “desestruturação familiar, principalmente econômica”.

Ao analisar a dinâmica da violência doméstica para além do aspecto financeiro apontado pelo candidato, a deputada destacou que o combate efetivo deve envolver a desconstrução de padrões de comportamento tanto dentro dos lares quanto nas instituições de ensino.

“É um posicionamento grave, nós não podemos naturalizar a violência. Nós precisamos entender que o primeiro passo para nós combatermos a violência contra a mulher no nosso país como um todo é exatamente a gente conseguir entender que é um problema estrutural, um problema cultural e que nós devemos trazer isso para a família, para a escola”, apontou a candidata, em entrevista nesta quinta-feira (20).

LEIA MAIS: Galvan compara lei do feminicídio a cotas e diz que morte de mulheres não é diferente de morte de homens

Simona também chamou a atenção para o impacto social das declarações de lideranças políticas em período eleitoral. Para a parlamentar, manifestações que relativizam a especificidade dos crimes de gênero podem enfraquecer as políticas de proteção em Mato Grosso, estado com histórico crítico de criminalidade contra mulheres.

“Agentes políticos, quando se manifestam, têm uma responsabilidade muito grande. Porque toda fala acaba repercutindo e influenciando as pessoas. E é por isso que a cobrança tem que acontecer, ela tem que ser efetiva no sentido de não permitir com que falas que, na verdade, naturalizam a violência, principalmente no nosso Estado de Mato Grosso, que nós já fomos campeão em feminicídio”, afirmou.

A deputada completou alertando sobre a necessidade de engajamento social amplo: “Nós vivemos uma verdadeira epidemia de matança das nossas mulheres. E enquanto todos não entenderem que isso não é um problema individual, mas é um problema coletivo, nós vamos continuar vendo essa quantidade de mortes acontecendo”.

Como alternativa para conter os índices de criminalidade, a candidata propôs a implementação de medidas preventivas integradas à grade curricular escolar e a qualificação dos profissionais do mercado de trabalho para identificar e intervir em situações de abuso doméstico.

“Precisamos agir, seja na frente legislativa, com leis, não sós no endurecimento de penas, mas também para fazer com que isso seja um ensino obrigatório nas escolas do combate à violência contra a mulher, como também nós temos que ter capacitação dos nossos trabalhadores, de maneira geral, contra a violência”, concluiu Simona.

A divergência política ocorre em meio a dados severos de violência de gênero no estado. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso registrou 53 mortes de mulheres por razões de gênero em 2025 e somou 31 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026. Atualmente, o estado detém a terceira maior taxa de feminicídios do país, com um índice de 2,7 casos para cada 100 mil habitantes.

O levantamento aponta ainda um avanço de 38,7% nas tentativas de feminicídio, alcançando a marca de 12,5 casos por 100 mil habitantes, o equivalente ao triplo da média nacional.

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