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Política Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 15:59 - A | A

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 15h:59 - A | A

CRISE EM VG

Flávia admite risco de atrasar salários de servidores: "dificuldade de juntar moedas"

A prefeita de VG afirma que bloqueio de recursos e queda na arrecadação pressionam as contas; VG desembolsa R$ 6 milhões por mês com precatórios

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Reprodução/TCE-MT

sergio ricardo e flavia moretti

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), admitiu que o município enfrenta dificuldades para manter o pagamento dos salários dos servidores em dia e não descartou a possibilidade de atrasos. Flávia afirmou que tem "dificuldade de juntar as moedas" para fechar a folha salarial e atribuiu a situação ao bloqueio de recursos judiciais, à queda na arrecadação e ao elevado volume de precatórios.

"Não vou mentir. Estamos com dificuldade de juntar as moedas para pagar o salário. Isso é verdade. Mas estamos tomando as providências", declarou.

LEIA MAIS: Dívida de precatórios de Várzea Grande supera R$ 1 bilhão e leva Prefeitura a buscar apoio do TCE 

Segundo a prefeita, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) já recorreu da decisão que determinou o arresto de recursos e pretende levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso seja necessário.

"Já protocolamos um agravo regimental. Também vamos recorrer aos tribunais superiores, se for preciso, e ingressar com uma representação no CNJ. Estamos buscando todos os meios para desbloquear o arresto e resolver esse problema de forma definitiva", afirmou.

Flávia ponderou, contudo, que a eventual liberação dos recursos não resolverá a crise financeira. De acordo com a prefeita, até 2024 cerca de 62% das receitas do município eram provenientes de transferências externas, como emendas e repasses dos governos estadual e federal. Ela afirmou que esses recursos diminuíram significativamente a partir de 2025 e, atualmente, chegam com destinação específica, o que impede sua utilização para despesas como a folha de pagamento.

"Desbloquear o arresto é uma coisa. Outra é chegar no mês seguinte e ter que pagar novamente com uma conta que não fecha. A dificuldade existe por causa da baixa arrecadação e da redução das transferências", disse.

DÍVIDA BILIONÁRIA

O cenário financeiro também é agravado pela dívida de precatórios, que já supera R$ 1 bilhão. Nesta terça-feira (28), Flávia Moretti participou de uma reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que resultou na criação de uma mesa técnica para discutir alternativas de equilíbrio fiscal para Várzea Grande.

Segundo a Prefeitura, o município desembolsa cerca de R$ 6 milhões por mês para quitar precatórios. Apenas no último ano e meio, mais de R$ 80 milhões foram destinados ao pagamento dessas obrigações judiciais.

Entre os maiores passivos estão um precatório originado em 1988, que atualmente soma cerca de R$ 190 milhões, e aproximadamente R$ 500 milhões em dívidas relacionadas ao fornecimento de energia elétrica do Departamento de Água e Esgoto (DAE), acumuladas ao longo de décadas.

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