ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM O JUIZ GONÇALO ANTUNES
O juiz e filósofo Gonçalo Antunes de Barros Neto, conhecido como Saíto, parafraseou o escritor italiano Umberto Eco ao analisar o comportamento dos usuários nas redes sociais e a qualidade dos debates públicos. Para ele, o ambiente virtual ampliou o espaço para manifestações, mas também favoreceu discussões rasas.
A internet deu voz aos idiotas
Gonçalo avalia que a internet ainda precisa ser compreendida como um espaço que exige responsabilidade dos usuários. Ele criticou a participação em debates sem conhecimento e o uso das plataformas para disseminar comentários depreciativos, incitando o discurso de ódio.
“A internet deu voz aos idiotas. É algo sobre o qual você deve pensar e fazer profundas reflexões. Ainda há um engajamento enorme: todo mundo quer se engajar e estar à frente dos problemas racionais e das discussões políticas. Mas as pessoas perderam a noção de que só se deve avançar em um comentário quando se tem cognição exaustiva sobre determinado assunto. Se não, você não entra no debate ou não precisa se engajar em um comentário depreciativo se não tem noção do significado das coisas”, falou o juiz ao HNT Entrevista.
Gonçalo foi além e recorreu à filosofia para discutir a relação entre conhecimento e representação política. Ele lembrou que pensadores como Platão e Aristóteles já refletiam sobre a necessidade de preparo daqueles que assumem cargos públicos.
Porém, o juiz ponderou que diplomas não determinam, isoladamente, a capacidade de um candidato para governar e citou o presidente Lula (PT), que não concluiu o Ensino Fundamental, mas recebeu títulos de honoris causa de diversas universidades pelo mundo.
A preocupação de Saíto também se estende ao avanço da inteligência artificial. Segundo ele, a superficialidade que já marca parte das interações tende a deixar as relações humanas "engessadas" e "robotizadas", já que as pessoas não se esforçam mais para pensar.
"Estamos passando por esse período, e isso é muito grave. Pode, sim, engessar o raciocínio crítico. Se isso acontecer, poderíamos ficar robotizados antes mesmo de aprender e pensar sobre tudo aquilo que estamos aprendendo, antes de formar nosso conceito e nossa ideia definitiva sobre o que é percebido como verdadeiro, consideradas as circunstâncias pessoais e intelectuais de cada um”, alertou.
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