A mulher abusada sexualmente dentro da delegacia de Sorriso (480 km de Cuiabá) rompeu o silêncio e falou pela primeira vez em reportagem exibida neste domingo (8). Ao Domingo Espetacular, da Rede Record, ela revelou detalhes inéditos da violência que sofreu nas mãos do investigador de polícia Manoel Batista da Silva, que está preso.
"Obrigou eu a ficar pelada, a deitar na cama e abusou de mim. Me cuspia, me tratou como um verdadeiro... Não sei, nem animal a gente trata dessa forma", narrou.
"Depois que ele terminou o ato ele me empurrou para dentro do banheiro, fez eu me lavar com detergente e ficou olhando eu tomar banho", completou.
A mulher contou também que os abusos começaram após as 18h do dia 9 de dezembro, dia seguinte à sua prisão. Segundo ela, a todo momento o investigador empunhava uma arma e fazia ameaças.
"Eu voltei muito perturbada para dentro daquela cela. Eu não falava mais nada, não tinha o que eu fazer", contou.
No dia 10 de dezembro, a presa foi transferida para a cadeia pública de Arenápolis, depois de ser abusada quatro vezes. Ela permaneceu na cadeia por dois dias e foi solta logo em seguida. A mulher havia sido presa pelo suposto envolvimento com um homicídio ocorrido em Sorriso.
"É uma tragédia. Eu não tenho paz, acabou. Não tenho paz", lamentou a vítima.
Ao ser interrogado, Manoel negou que tenha cometido qualquer abuso. No entanto, exame de DNA confirmou o ato. Segundo a delegada do caso, Layssa Leal, o investigador contava que, com o lapso temporal entre a coleta do material genético e o abuso, os vestígios teriam sido apagados.
Dois dias depois de conceder a entrevista a Roberto Cabrini, a mulher passou a ser procurada por tortura e organização criminosa. Na reportagem, ela admitiu ter passagem por tráfico de drogas, mas negou envolvimento com facções.
A defesa da vítima aponta falhas na investigação e corporativismo.
CELULAR FURTADO
Reportagem cita ainda a existência de um celular funcional que foi furtado por uma presa. No aparelho, foram encontradas mensagens sugerindo "tratamento diferenciado" a presos e mensagens acerca de policiais "apaixonados" por presas.
Há ainda relatos de que outras mulheres teriam sido abusadas por Manoel.
Em nota, a defesa do investigador afirmou que todos os fatos serão discutidos exclusivamente no processo.
Já o titular da delegacia, Bruno França, afirmou que os materiais extraídos do celular funcional foram editados e tirados de contexto.
A corregedoria da Polícia Civil acompanha as investigações em Sorriso.
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