Um investigado apontado como liderança de uma facção criminosa e suspeito de atuar como padrinho de jovens cooptados para atividades ilegais voltou ao centro de uma investigação da Polícia Civil em Mato Grosso. Nesta quarta-feira (28), a Operação Patrinus cumpriu 13 mandados judiciais em Tabaporã, Sinop e Várzea Grande para combater um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
A ação teve como alvo uma estrutura investigada por manter hierarquia, divisão de tarefas e atuação coordenada na comercialização de entorpecentes. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, polo de Juína.
As ordens foram executadas em endereços nos três municípios, incluindo o Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Na cela ocupada por um dos alvos, os policiais apreenderam celulares, carregadores e drogas.
COMANDO DE DENTRO DA PRISÃO
De acordo com o delegado de Tabaporã, Geremias Ferreira, a investigação identificou indícios de que uma liderança mantinha o gerenciamento das atividades criminosas de dentro do sistema penitenciário.
Segundo a apuração, esse investigado seria responsável por coordenar a distribuição de drogas, controlar a movimentação financeira e transmitir ordens aos demais integrantes. Os policiais também identificaram suspeitos que atuariam na logística, no armazenamento, no recolhimento de valores e na venda de entorpecentes.
A investigação começou após a apreensão de aparelhos celulares. Com autorização judicial, os policiais analisaram os dados dos dispositivos e encontraram informações que, conforme a Polícia Civil, apontaram a existência de um grupo estruturado em Tabaporã, com ramificações em outros municípios.
NOME FAZ REFERÊNCIA A PADRINHO
O nome Patrinus tem origem no latim e remete à palavra “padrinho”. Conforme a Polícia Civil, a denominação faz referência a um dos principais alvos, apontado como padrinho de jovens que teriam sido cooptados para atividades criminosas.
A escolha do nome chama a atenção porque, em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou em Cuiabá a Operação Patrinus Malus, que investigava um grupo suspeito de controlar o tráfico de drogas com regras internas, divisão de funções e tabela de preços.
Na ocasião, a investigação apontou que uma liderança continuava comandando atividades criminosas de dentro da prisão. A operação cumpriu 20 ordens judiciais, sendo nove de prisão e 11 de busca e apreensão, em Cuiabá e Florianópolis (SC).
Apesar das semelhanças entre as duas investigações, as informações divulgadas até o momento não confirmam oficialmente se a Operação Patrinus, de outubro, é um desdobramento da Patrinus Malus, de março, nem se os mesmos investigados são alvos das duas ações.
MATERIAL SERÁ PERICIADO
Na operação desta quarta-feira, as buscas também tinham como objetivo localizar armas, munições, dinheiro em espécie e outros materiais que pudessem contribuir para a investigação. Os itens apreendidos serão submetidos à análise e à perícia.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Tabaporã, com apoio das delegacias regionais de Juína, Sinop e Várzea Grande.
Os investigados são apurados por suspeita de tráfico de drogas, associação para o tráfico e participação em facção criminosa.
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