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Polícia Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 11:39 - A | A

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 11h:39 - A | A

CHEFÃO DO COMANDO

Advogados usaram decisão falsa para tentar transferir "Miro Louco" para Cuiabá

Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido pelo vulgo "Miro Louco", está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná; a decisão flexibilizava a vinda para a Penitenciária Central do Estado (PCE)

MARYELLE CAMPOS
Da redação

Reprodução

Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus Miro Louco

Os três advogados alvos da Operação Reescrita, deflagrada nesta quarta-feira (27), tentaram transferir Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido como "Miro Louco", da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Miro é um dos líderes e fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Os alvos da Operação são investigados por suspeita de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. Todos sofreram busca e apreensão em suas residências, localizadas na Capital, e em um escritório ligada a um dos investigados. 

As investigações iniciaram após a Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) receberem informações de uma suposta decisão judicial que determinava a flexibilização da vinda de Miro Louco para Mato Grosso, antes do término do prazo estabelecido em decisão judicial anterior. 

Segundo a investigação, em junho de 2025, foi apresentado um pedido judicial para a transferência do preso. Meses depois, em dezembro do mesmo ano, dois dos advogados investigados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá e solicitaram providências relacionadas ao cumprimento da suposta decisão, que teria sido proferida em novembro de 2025.

Na ocasião, eles apresentaram uma cópia do documento, posteriormente encaminhado por um dos advogados investigados ao contato institucional do gabinete. Durante a verificação, servidores da unidade judicial constataram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e não estava registrada no processo.

Também foram identificadas inconsistências no documento, incluindo um código de validação vinculado a outro processo e diferenças em relação aos padrões dos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal. A análise técnica do arquivo apontou indícios de edição externa.

Os elementos reunidos nas investigações demonstraram que uma das investigadas teria participado da elaboração ou edição do documento, enquanto os outros dois advogados teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo perante o Poder Judiciário.

ORDENS JUDICIAIS

Diante das evidências, foi representado pelos mandados de busca e apreensão contra os investigados com o fim de elucidar a origem do documento, as circunstâncias de sua produção e circulação e a participação individual dos envolvidos.

As buscas têm como objetivo localizar celulares, computadores, notebooks e outros dispositivos eletrônicos, além de documentos e mídias que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

NOME DA OPERAÇÃO 

O nome Reescrita faz referência à suspeita de que uma decisão judicial já existente, relacionada à permanência do preso em penitenciária federal, teria sido utilizada como referência para produzir um novo documento, que teria sido reescrito pelos investigados, atribuindo-lhe outro sentido e simulando uma decisão posterior que autorizaria o recambiamento do custodiado para Mato Grosso.

 

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