Em mensagens recuperadas pela investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a pastora Orminda Carlos de Barcelos, de 55 anos, desabafa com a filha e missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, dizendo que não aguentava mais viver de aparências. Ambas foram denunciadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por suposto envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
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Na conversa, Orminda escreve: "Não dou mais conta de viver de aparência", ao que Rhavenna responde: "Somos uma família suja".
Conforme a investigação, a família utilizava um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e manter relações financeiras e sexuais com líderes do CV, além de entregar celulares no raio de segurança máxima.
Além de Rhavenna, que mantinha relacionamento com dois integrantes da facção - Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, apontado como liderança da organização, e Renildo Silva Rios, conhecido como "Veio", "Velho" e "Chapa" - a mãe, as irmãs e um primo dela também foram denunciados pelo MPMT.
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Batman é investigado pela Polícia Civil por integrar o núcleo financeiro da facção e está foragido desde 2024. Já Renildo está preso há mais de duas décadas por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Ele é apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso.
OPERAÇÃO FARISEUS
Deflagrada em julho deste ano, a Operação Fariseus apreendeu celulares da família e revelou conversas com lideranças do CV. Apontada como uma das operadoras da facção no estado, Rhavenna atuaria como interlocutora entre presos, criminosos em liberdade e lideranças como Sandro Silva Rabelo, o "Sandro Louco", além de movimentar recursos financeiros do grupo.
Segundo as investigações, o esquema movimentava dinheiro em espécie, usava contas de familiares e terceiros para ocultar valores e mantinha uma empresa de fachada.
Outra linha de investigação apura imagens da família em meio a fuzis em áreas dominadas pela facção no Rio de Janeiro, com mulheres ligadas ao projeto religioso frequentando a comunidade.
Rhavenna está presa desde o início das investigações. A mãe permanece em liberdade. O pai, pastor Nivaldo Almeida, morreu de câncer no dia 5 de setembro.
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