O Ministério Público do Estado (MPE) formalizou pedido à Corregedoria da Polícia Civil para que o delegado da elegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), Guilherme Bertoli, seja investigado por suposto testemunho falso para beneficiar o investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz. De acordo com os promotores do MP, as declarações de Bertoli não são sustentadas quando contrapostas às provas do processo.
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Em determinado trecho do depoimento, o delegado disse que o investigador ligou para ele. Mário Wilson teria afirmado, segundo Bertoli, que "matou um noiado". O delegado também asseverou que foi o primeiro policial a chegar na conveniência onde o homicídio foi registrado.
O MP divergiu. Os promotores argumentam que essa versão não aparece nos autos. Eles ainda destacaram a possível falha do delegado por não isolar o local, preservando a cena do crime - caso fique provado que foi o primeiro a chegar no endereço.
"Chama a atenção que deixou de assumir a especial responsabilidade funcional de preservação do local de crime", apontou o MP.
Recentemente, a Justiça acolheu os embargos de declaração do MP e reconheceu a perda do cargo de Mario Wilson. Os embargos foram opostos pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Gahyva compõem o grupo de promotores que questionam a legitimidade do depoimento de Bertoli.
O CASO
O crime ocorreu na madrugada de 27 de abril de 2023, em uma conveniência localizada na Rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, próximo ao restaurante Choppão.
Segundo as investigações, Thiago Ruiz estava no local acompanhado de amigos quando Mário Wilson chegou à conveniência. Imagens de câmeras de segurança mostraram os dois conversando antes do início da confusão.
Conforme os autos, em determinado momento o policial militar exibiu a arma que portava na cintura. A partir disso, houve luta corporal e o investigador tomou a arma da vítima antes de efetuar os disparos.
Durante o júri, o Ministério Público sustentou que o PM tentava deixar o local quando foi atingido. Já a defesa afirmou que os disparos ocorreram durante uma tentativa do investigador de se desvencilhar de um estrangulamento.
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