O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia contra Max Leander Martins Costa, acusado de matar um motociclista e tentar matar outro ao dirigir um Jeep Compass na contramão, no bairro Coophema, no dia 23 de dezembro de 2024 na capital. Segundo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Max Leander havia ingerido bebidas alcoólicas antes de assumir o volante e deixou o local após as colisões sem prestar socorro. A decisão é desta quarta-feira (16).
De acordo com a denúncia, Costa dirigia um Jeep Compass quando invadiu a pista contrária e atingiu as motocicletas do vigilante José Chaves Leite e Anselmo Gonçalo de Magalhães. José chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu no dia seguinge no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Anselmo ficou hospitalizado e, segundo a acusação, sofreu sequelas em decorrência dos ferimentos. Após as colisões, Max Leander teria deixado o local com a motocicleta de Anselmo presa à parte dianteira do Jeep por cerca de 500 metros.
O Ministério Público sustenta que o conjunto das circunstâncias permite enquadrar o caso como homicídio com dolo eventual. Além do consumo de álcool, a acusação considera a condução na contramão, as duas colisões, o arrastamento da motocicleta e a saída do local sem socorro.
Na decisão, Simões afirmou que o recebimento da denúncia não decorre apenas da suposta ingestão de bebida alcoólica. Para o juiz, as circunstâncias descritas na acusação formam um conjunto de indícios suficiente para que o processo prossiga.
“O próprio relatório investigativo atribuiu ao investigado a condução do automóvel após consumo de bebidas alcoólicas, na contramão de direção, seguida da colisão contra duas motocicletas e do arrastamento de uma delas por aproximadamente 500 metros. Tais circunstâncias, consideradas em conjunto e exclusivamente para os fins do juízo inicial de admissibilidade da acusação, constituem substrato indiciário suficiente para permitir o prosseguimento da persecução penal”, destacou o magistrado.
O motorista do Jeep Compass também é acusado de inserir informações falsas em dois boletins de ocorrência. Conforme a denúncia, ele teria atribuído o acidente a um mal-estar repentino e inesperado. Por isso, responde ainda por duas acusações de falsidade ideológica. A denúncia inclui também crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro, entre eles omissão de socorro, fuga do local do acidente e condução de veículo sob influência de álcool.
Apesar das acusações, Max Leander responderá ao processo em liberdade. Um pedido de prisão preventiva feito anteriormente pela autoridade policial havia sido negado em janeiro de 2025, e o Ministério Público também havia se manifestado contra a prisão. O processo seguirá pelo procedimento dos crimes de competência do Tribunal do Júri.
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