O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou o pedido de prisão domiciliar de Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, o “Vovô do CV” e decretou a prisão preventiva do frentista Ronaldo Queiroz de Amorim Junior. A decisão, desta sexta-feira (15), levou em consideração as condições de saúde do primeiro réu e pelo descumprimento de medidas cautelares por parte do segundo. Os dois são acusados de envolvimento em organização criminosa, lavagem de dinheiro e cobrar propinas de até 10% dos lucros de plataformas de jogos de azar digitais ilegais como os jogos do Tigrinho.
No caso do Vovô, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) em Cuiabá, a defesa alegava a necessidade de prisão domiciliar por questões de saúde. Contudo, relatórios e informações colhidas junto à Penitenciária Central do Estado demonstraram que o custodiado vem recebendo atendimento médico e nutricional adequado na unidade.
Sebastião foi escoltado para consulta especializada com um cardiologista no Centro de Especialidades Médicas do Coxipó e mantém o uso regular de cinco medicamentos de uso contínuo para controle de patologias cardiovasculares, além de receber dieta especial hipossódica.
Diante do quadro clínico considerado estável e assintomático, o magistrado concluiu que o Estado está cumprindo a obrigação de garantir os direitos do preso, tornando desnecessária a concessão do benefício. O juiz determinou, porém, a realização de uma perícia médica cardiológica oficial no prazo de dez dias para avaliar formalmente a compatibilidade do tratamento dentro do ambiente prisional.
“O atendimento de saúde prestado ao custodiado vem sendo adequado, contínuo e compatível com suas necessidades clínicas, inexistindo qualquer indicação médica de internação externa emergencial, tampouco evidência de que o quadro de saúde apresentado seja incompatível com a permanência em ambiente prisional”, explicou o magistrado.
Em relação ao frentista Ronaldo Queiroz de Amorim Junior, o juiz determinou a prisão preventiva devido à fuga e à violação do monitoramento eletrônico. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) informou que o acusado rompeu a tornozeleira eletrônica e deixou o equipamento dentro de sua residência. Policiais tentaram localizá-lo para o cumprimento de mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão vinculados a outra ação penal, mas o réu não foi encontrado.
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A OPERAÇÃO
A Operação Ludus Sordidus, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em 21 de agosto de 2025, teve como objetivo desarticular uma facção criminosa altamente estruturada que atuava em Cuiabá, Várzea Grande e até em Nova Odessa (SP). As investigações, iniciadas após a interrupção de uma reunião comunitária no Jardim Liberdade, revelaram que o grupo explorava diversas atividades ilícitas, como jogos de azar digitais, como jogo do Tigrinho, estelionatos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 13,3 milhões em bens e valores bloqueados. Ao todo, foram cumpridas 38 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas, sequestro de imóveis e bloqueio de contas.
O líder da organização, Sebastião Lauze, que se apresentava como presidente de um time de futebol amador e realizava ações sociais para encobrir suas atividades, controlava a “quebrada” e lucrava com golpes e apostas ilegais, recebendo até 10% dos lucros de plataformas clandestinas. Mesmo após ser preso e colocado em prisão domiciliar, continuou articulando crimes, o que levou a um novo mandado de prisão em setembro de 2025. A operação integra o programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso e ações da Renorcrim, reforçando o combate às facções no estado.
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