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Justiça Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026, 09:45 - A | A

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CONTABILIDADE DAS BETS

Juiz nega novo pedido para devolver carrão a sogro de ex-gerente de policlínica envolvido com o CV

Carlos José de Campos alegou ser proprietário do veículo, mas não comprovou a origem dos R$ 80 mil usados como entrada nem o pagamento integral

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Reprodução

corolla cross

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou novo pedido de restituição de um Toyota Corolla Cross XRE 2.0L CVT, apreendido com Renan Curvo da Costa, ex-diretor de uma policlínica em Várzea Grande e apontado como o responsável de fazer a contabilidade de apostas tipo bets para o Comando Vermelho de acordo com a Operação Ludus Sordidus. De acordo com a decisão, desta sexta-feira (21) não ficou comprovado que Carlos José de Campos, sogro do investigado, é o dono do veículo, assim como a origem dos recursos usados na compra do veículo e que o bem ainda interessa ao processo.

O magistrado destacou que Carlos José não conseguiu afastar as dúvidas sobre a origem dos R$ 80 mil previstos como entrada na aquisição do veículo. No pedido, o sogro de Renan afirmou que o veículo foi comprado por R$ 178,6 mil, com entrada de R$ 80 mil e o restante financiado em 36 parcelas de R$ 4.462,41 pelo Banco Toyota do Brasil.

O veículo, um Corolla Cross branco, ano/modelo 2024/2025, foi apreendido em 2 de setembro de 2025 pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Derco), no âmbito de inquérito que deu origem a uma ação penal sobre organização criminosa.

Campos afirmou ainda que o carro era utilizado pelo genro, Renan Curvo da Costa, por meio de um comodato verbal para atividades cotidianas da família. Ele também sustentou não ser investigado ou denunciado nos processos relacionados ao caso.

As declarações de Imposto de Renda indicavam rendimentos tributáveis de R$ 27,2 mil em 2021, R$ 39 mil em 2022, R$ 39,9 mil em 2023 e R$ 59,4 mil em 2024. O patrimônio declarado também apresentou crescimento, passando de R$ 573,6 mil ao fim de 2021 para R$ 660,2 mil ao fim de 2023. Em 2024, porém, o patrimônio informado saltou para R$ 1,21 milhão, um aumento superior a R$ 550 mil em relação ao ano anterior.

Para justificar o crescimento, Carlos José apontou um rendimento de R$ 300 mil declarado como isento, relacionado à prestação de serviços de transporte de carga. O juiz considerou que a informação, por ser autodeclarada, precisava de documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços e o recebimento dos valores.

Segundo a sentença, não foram apresentados documentos como notas fiscais dos serviços, conhecimentos de transporte eletrônico, apólices de seguro de carga ou extratos bancários relacionados à atividade empresarial.

“Esse lançamento, por si só, não confere a certeza que o art. 120 do Código de Processo Penal exige. Tratando-se de rendimento autodeclarado, sua idoneidade dependeria de comprovação documental correlata, como notas fiscais de prestação de serviço, conhecimentos de transporte eletrônico, apólice de seguro de carga e extratos bancários vinculados à atividade empresarial exercida”, destacou.

A sentença também destacou que não havia comprovante de pagamento dos R$ 80 mil de entrada previstos no financiamento. Em um incidente anterior, documentos haviam comprovado o pagamento de apenas R$ 60 mil, e a diferença permaneceu sem comprovação direta.

LEIA MAIS: Juiz nega devolver carrão a sogro de ex-gerente de policlínica que fazia contabilidade de ‘bets’ do CV

A OPERAÇÃO

Renan Curvo foi preso preventivamente em agosto durante a execução da Operação Ludus Sordidus. De acordo com as investigações, ele é acusado de fazer a contabilidade da exploração de jogos de azar online, tipo bets, além de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele trabalharia com Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como Dandão, apontado como líder do CV em Mato Grosso, e outros investigados.

Segundo o Gaeco, a facção utilizava as plataformas ilegais Gol Bet e Campeão Bet para movimentar milhões de reais. Renan seria o responsável por elaborar e apresentar balancetes semanais dos lucros, repassando parte dos valores a Dandão e a outros líderes do grupo. Relatórios de inteligência financeira apontam que o investigado movimentou mais de R$ 2,2 milhões entre 2021 e 2022, com repasses mensais identificados como “acertos” e “pagamentos” ligados ao esquema.

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