O juiz Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque, da 2ª Vara Criminal de Sorriso (397 km de Cuiabá), absolveu Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, apontado como o tesoureiro do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso, da acusação de roubo majorado. A decisão, desta quinta-feira (15), foi proferida no processo que apurava um assalto a uma loja da rede Martinello no município.
Segundo a acusação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o réu teria participado de um roubo praticado por homens armados contra a loja, de onde foram levados dinheiro e aparelhos celulares. A investigação passou a apontar para WT após a apreensão de uma mochila em local distinto do crime. Dentro dela havia dois celulares, sendo que a nota fiscal de um dos aparelhos estava em nome do acusado.
Ao analisar o caso, o magistrado anulou o reconhecimento fotográfico realizado durante a investigação. Ele concluiu que a polícia não observou as regras previstas no Código de Processo Penal e destacou que algumas testemunhas sequer se lembravam de ter participado do procedimento.
A decisão também aponta um erro na identificação apresentada às vítimas. Conforme registrou o juiz, a fotografia indicada como sendo de Paulo Witter não correspondia ao acusado. “A fotografia de n° 01 não encontra semelhanças com o réu”, escreveu o magistrado, acrescentando que a imagem atribuída a outra pessoa era, na verdade, a do próprio acusado.
“Em suma, sendo declarado nulo o reconhecimento fotográfico constante nos autos, as demais provas produzidas na fase extrajudicial e judicial não são suficientes para amparar o decreto condenatório”, completou o magistrado.
Na sentença, Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque observou que a acusação ficou baseada essencialmente em dois elementos: a mochila encontrada com os celulares e o reconhecimento fotográfico posteriormente declarado nulo. Também destacou contradições nos relatos prestados à polícia sobre quem teria adquirido determinados produtos cujas notas fiscais apareceram na investigação.
Ao final, o juiz aplicou o princípio do in dubio pro reo e absolveu o réu por não haver provas suficientes para a condenação.
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Essa não é a primeira absolvição de Paulo Witer esse ano. Em maio de 2026 ele se livrou da acusação de uso de documento falso quando ele voltava com sua família de Balneário Camboriú (SC) para Cuiabá. De acordo com a acusação, a Polícia Rodoviária Federal, em uma abordagem, encontrou um documento de identidade falso no veículo em que a família viajava. No entanto, ele foi inocentado porque a defesa conseguiu provar que, apesar da existência do documento, ele não foi apresentado aos policiais.
ALVO DE VÁRIAS OPERAÇÕES
Paulo Witer é apontado como um dos principais alvos das operações Apito Final, Gerente Fantasma e Replay. Segundo as investigações, ele teria participado da lavagem de aproximadamente R$ 17 milhões para o Comando Vermelho, utilizando imóveis de luxo em cidades litorâneas e até clubes de futebol para ocultar recursos ilícitos. Ainda conforme o Ministério Público, mesmo recolhido na Penitenciária Central do Estado (PCE), ele continuava exercendo influência sobre as atividades da organização criminosa.
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