O advogado Claudio Dalledone Júnior, responsável pela defesa do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em uma conveniência, em abril de 2023, tem adotado como estratégia desqualificar a vítima para justificar a ação do réu. O júri teve início nesta terça-feira (12).
A principal tese da defesa é de que o investigador atirou para se proteger após ter sido estrangulado por Thiago. Segundo a versão apresentada, a confusão começou depois que o policial militar exibiu uma arma dentro da conveniência. Diante da situação, Mário Wilson teria tomado a arma de Thiago e informado que iria averiguar a procedência do armamento.
Durante a oitiva do delegado da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), Guilherme Facinelli, Dalledone questionou se a atitude de Mário Wilson ao desconfiar que Thiago realmente era policial militar e retirar a arma poderia ser considerada válida. O delegado respondeu que a situação depende de vários contextos, mas afirmou que a conduta poderia, sim, ser considerada válida.
Na sequência, o advogado perguntou se o investigador da Polícia Civil Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, que acompanhava Thiago na conveniência, era uma pessoa confiável. “Walfredo trabalhou comigo na Derf e era instável, mas não sei dizer se isso tem relação com drogas”, respondeu o delegado.
Dalledone também questionou se todas as pistolas funcionais das polícias Civil e Militar possuem brasões. Facinelli afirmou que, em tese, todas as armas institucionais possuem identificação, mas explicou que, caso a pistola não tenha brasão, o policial deve portar o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf).
LEIA MAIS: Promotor e advogado de defesa batem boca em júri de investigador acusado de matar PM
Amigo da vítima e do réu contesta legítima defesa em morte de PM em Cuiabá
Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, investigador da Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), amigo em comum do réu e da vítima contradisse a versão do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, que alegou ter matado o policial militar Thiago de Souza Ruiz para se defender de um estrangulamento. A informação foi dada durante depoimento perante o Tribunal do Júri nesta terça-feira (12), em Cuiabá
O desentendimento ocorreu na madrugada de 27 de abril de 2023, em uma conveniência de um posto de combustível localizada na Praça 8 de Abril, próximo ao restaurante Choppão. De acordo com Walfredo, ele chegou com a vítima à conveniência e que aparentemente Mário Wilson não teria ido “muito coma cara” de Thiago. “Pode ter implicado com as tatuagens de Thiago, ele abordou [a vítima] com arrogância e prepotência”, explicou.
De acordo com o investigador, Mário tirou a arma da cintura de Thiago, sendo que essa não seria a abordagem correta diante de um suspeito. “O procedimento é mandar pôr as mãos para cima, falar para o suspeito ficar de frente para a parede e abrir as pernas. Não foi o que aconteceu”, completou.
Ele reforçou que que ele quase foi outra vítima, pois teria ajudado Mário Wilson a sair do “mata leão” aplicado por Thiago. E que após isso, o policial civil teria feito vários disparos a esmo, sendo que quase todos atingiram o policial militar, que morreu logo depois.
Advogado diz que disparos contra PM ocorreram durante tentativa de estrangulamento
O advogado Gilson Tibaldi, amigo de longa data e testemunha de defesa do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, afirmou para o Tribunal do Júri que o PM apenas disparou contra o policial militar Thiago de Souza Ruiz para se defender de um estrangulamento durante um desentendimento na madrugada de 27 de abril de 2023, em uma conveniência de um posto de combustível localizada na Praça 8 de Abril, nas proximidades do restaurante Choppão. O crime ocorreu após o investigador tomar a arma para, segundo a defesa, averiguar a documentação.
Tibaldi relatou que, após a abordagem instantânea e sem aviso no interior da conveniência, Thiago tentou pegar a arma de volta e os dois entraram em luta corporal, sendo que a vítima estaria estrangulando o investigador, que efetuou disparos para poder se libertar da situação. De acordo com a defesa, os disparos atingiram os glúteos, a região ilíaca, o braço esquerdo e a mão direita, o que, segundo a linha de raciocínio, torna os locais alvejados incompatíveis com alguém que tivesse a intenção de matar.
Ex de PM morto diz viver com medo e denuncia ataques à imagem da vítima
A primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri contra o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi Walkuiria Filipaldi Correa, ex-esposa do policial militar Thiago de Souza Ruiz. Em seu depoimento, nesta terça-feira (12),ela relatou sentir-se ameaçada e constrangida pelo fato de o réu trabalhar na mesma rua onde ela reside. Valquíria e a vítima estavam em processo de reconciliação na época do crime.
O homicídio ocorreu na madrugada de 27 de abril, em uma conveniência localizada na Praça 8 de Abril, nas proximidades do restaurante Choppão. De acordo com os autos, ambos bebiam acompanhados de uma terceira pessoa quando Mário Wilson, ao notar que Thiago estava armado, tomou a pistola da vítima. O episódio evoluiu para um confronto físico, culminando com o PM alvejado por sete disparos.
A defesa do investigador sustenta que a abordagem visava verificar a procedência da arma e confirmar se a vítima era, de fato, um policial militar. Por outro lado, Walkuiria contestou a conduta em seu depoimento, afirmando que o procedimento correto seria acionar a Polícia Militar via 190, evitando expor terceiros ao risco.
LEIA MAIS: Vídeo mostra com detalhes briga que culminou no assassinato de PM em Cuiabá; assista
“Tinha muita confiança no Thiago, nunca houve nada que desabonasse sua conduta. Ele amava ser PM e era uma pessoa humilde. Eu o conheci assim e foi assim que ele se foi”, declarou Walkuiria , que tem uma filha de 13 anos com a vítima.
Além do temor pela proximidade física do investigador, a testemunha denunciou o recebimento de vídeos que tentam desqualificar a imagem da vítima. Segundo ela, o material descreve Thiago como uma pessoa violenta e agressiva, enquanto exalta Mário Wilson como uma espécie de “Robin Hood” por ter tirado “um vagabundo de circulação”.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.








