O Centro Acadêmico de Direito VIII de Abril (CADI), em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), publicou uma nota de repúdio e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em caráter de urgência nesta segunda-feira (04), com o objetivo de enfrentar graves denúncias de misoginia e violência contra a mulher no curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). De acordo com a nota, a mobilização foi motivada pela circulação de registros de conversas em aplicativos de mensagens onde estudantes planejavam a elaboração de uma lista classificando alunas ingressantes como "estupráveis".
O documento afirma que: “Estudantes do curso de Direito e de outros cursos planejavam a elaboração de uma lista classificando alunas ingressantes como '3stupr4v1s', bem como proferiam declarações explícitas acerca da intenção de m0l3st4r colegas de sala. [...] Tais manifestações não podem ser tratadas como 'brincadeira', tampouco relativizadas. Ao contrário, configuram a banalização da violência sexual e a objetificação de mulheres”.
A nota destaca ainda que tais condutas são incompatíveis com o curso de Direito, cuja formação deve defender a dignidade humana. O texto contextualiza a gravidade citando que, no ano passado, o campus foi palco do estupro e assassinato de uma mulher, citando o caso de Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos.
Uma estudante da instituição, que teve sua identidade preservada, relatou o sentimento de vulnerabilidade que tomou conta das alunas diante de informações sobre processos que correm em sigilo.
"As mulheres estão se sentindo inseguras pois elas não sabem em quem confiar, elas não sabem que tipo de comentários criminosos estão sendo disseminados", relatou a universitária, em entrevista.
Ela expressou preocupação com a paralisia institucional causada pela greve dos técnicos administrativos na Instituição. "Essa pessoa não vai ser responsabilizada enquanto a greve estiver acontecendo, além de continuar no curso sem receber nenhuma consequência, o processo vai continuar em sigilo".
Conforme a estudante, o objetivo do movimento é pressionar por transparência e punição dos alunos que banalizaram a violência sexual contra mulheres. "É para demonstrar que nós repudiamos o discurso de Red Pill, que repudiamos essa ideia de que nossos corpos estão à disposição das pessoas para serem comentados como elas quiserem, ou que façamos parte de algum tipo de lista de mulheres violentáveis ou molestáveis".
Diante da gravidade, o CADI incluiu em sua pauta oficial esclarecimentos sobre as providências já adotadas junto às instâncias competentes, visando a preservação de um ambiente acadêmico seguro. Como medida de suporte imediato, foi apresentada formalmente a Sala de Acolhimento da UFMT, que oferece escuta qualificada por equipe interdisciplinar e apoio psicológico para pessoas em situação de violência ou violação de direitos no âmbito universitário.
O Centro Acadêmico afirma que continuará acompanhando a apuração dos fatos para garantir a identificação dos envolvidos e a adoção de medidas concretas.
Procurada pelo HNT, a UFMT ainda não se pronunciou sobre os fatos alegados. O espaço segue aberto.
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