Economia Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011, 11:23 - A | A

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011, 11h:23 - A | A

CHEQUE ESPECIAL

Juros do cheque especial voltam a subir e atingem maior valor em 12 anos

Especialistas aconselham modalidades mais baratas, como o crédito consignado

PORTAL R7

As taxas de juros do cheque especial, a modalidade de crédito mais cara do mercado, tiveram alta em julho e atingiram o valor de 188% ao ano. O valor é o maior desde abril de 1999, quando chegaram a 193,65%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Banco Central. O número faz a dívida quase triplicar de tamanho. Funciona assim: se o cliente tivesse deixado uma dívida de R$ 1.000 no limite da conta um ano atrás, em julho pagaria R$ 2.880 para quitar a dívida.

Em maio deste ano, os juros já tinham chegado próximo aos vistos em maio de 1999, quando a taxa havia ficado em 185,4%. De acordo com Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, o cheque especial deve ser evitado pelos brasilieros. - Naturalmente que a medida que as taxas de juros na modalidade do cheque especial são mais altas é recomendável que se evite esse tipo de empréstimo. A boa notícia é que o cheque especial não é a porta de entrada no crédito, é uma linha para momento de aperto. As pessoas tomam esse crédito quando não se vêem em condições de tomar outro ou por momento reduzido.

Só para se ter uma ideia da diferença do custo do dinheiro para empréstimos, os juros médios cobrados do consumidor em julho ficaram em 31,4%. O valor é quatro vezes menor do que os juros cobrados no especial.

No caso de quem usa a grana para a compra de bens como veículos, os juros médios praticados no mercado são ainda menores: de 29,5 % ao ano. Os juros do crédito pessoal ficaram em 48,7% ao ano em julho.

O crédito consignado, com desconto do salário do trabalhador, tem os menores juros do mercado. Quem tomar um empréstimo do tipo paga, por ano, 28,2%, em média. E a boa notícia é que a participação do consignado no crédito pessoal vem crescendo. No mês passado, a participação ficou em 58,9%. É como se quase 6 em cada 10 pessoas que tivessem tomado algum empréstimo no mercado buscasse essa modalidade. De acordo com o BC, este é um sinal de que o brasileiro está mais consciente do custo do empréstimo, e por isso, recorre cada vez mais a modalidades mais baratas de crédito.

Bancos e empresas

Os juros médios dos bancos tiveram a segunda queda seguida em julho e chegaram a 45,7% ao ano. Em abril, os juros haviam chegado ao maior valor desde maio de 2009, a 46,8%. O BC esperava estabilidade nos juros e na expansão do crédito a partir de março.

Maciel diz que a segunda queda seguida na taxa de juros não pode ser considerada uma tendência. '' Movimentos na taxa de juros são normais, não somente reflexo da tendência das taxas de juros pelo Copom. Você pode ter outros reflexos. A queda não se configura em uma tendência, pelo menos até este momento. Porque tivemos aumento no ano de 5,1% de juros para as pessoas físicas, para caracterizar tendência é preciso esperar mais tempo. Para agosto, com nove dias úteis, tivemos alta nos juros para as pessoas físicas de 0,7 ponto.

A queda no trimestre ocorre mesmo após quatro altas seguidas dos juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nas reuniões deste ano. O aumento dos juros tem como justificativa o controle da inflação. A taxa básica da economia está em 12,5% ao ano.

Já para as empresas, os juros tiveram alta na comparação com junho. No período, passaram de 30,8% e 31,4%. No trimestre, os juros para as empresas tiveram alta de 0,4 ponto percentual.

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