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Economia Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 18:00 - A | A

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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 18h:00 - A | A

Ibovespa renova recorde pelo 3º dia, mas com menos força em Petrobras e Vale

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O Ibovespa seguiu em renovação de máximas históricas nesta quinta-feira, 22, pelo terceiro dia, acumulando um avanço que chegou a superar 11 mil pontos durante o pregão, considerando apenas as duas últimas sessões do intervalo, entre quarta e quinta. No fechamento, o índice da B3 mostrava ganho moderado a 2,20%, aos 175.589,35 pontos, tendo iniciado o dia aos 171.817,23 pontos, em nível correspondente ao piso da sessão. No encerramento de terça, no começo da atual série de renovação de recordes, o Ibovespa assinalava 166.276,90 pontos. O giro financeiro se manteve reforçado nesta quinta-feira, em nível atípico, como na quarta-feira, para uma sessão sem vencimento de opções: a R$ 44,1 bilhões.

Na máxima desta quinta, em novo recorde intradia, o Ibovespa chegou a se aproximar dos 178 mil pontos, aos 177.741,56 no melhor momento. Na semana, acumula até aqui avanço de 6,55%, a caminho, por enquanto, de seu melhor desempenho desde outubro de 2022 quando, no intervalo entre os dias 17 e 21, havia subido 7%. Se romper, na sexta, tal patamar de ganho semanal, a referência passa a ser novembro de 2020 quando, no início daquele mês, registrou alta de 7,42%.

"Neste começo de 2026, o Ibovespa já acumula ganho de 9% no ano. E o principal motor deste rali continua a ser a rotação global de capital, mesmo após a redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e Europa desde a tarde de ontem quarta-feira, com a suspensão da aplicação de tarifas adicionais que haviam sido sinalizadas pelo governo Trump para 1º de fevereiro", diz Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors. "Com a redução das tensões comerciais, os grandes fundos globais seguem em busca de rendimentos em mercados emergentes."

"Novas quebras em volumes e em pontuação, induzida pelo investimento estrangeiro, em meio a um quadro geopolítico ainda incerto apesar das últimas sinalizações, mais amenas, com relação à Groenlândia. Há uma série de pontos ainda a serem observados, como a polêmica ideia em torno de um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza. O favoritismo do presidente Lula nas pesquisas eleitorais tende a se impor, em algum momento, como fator de volatilidade", diz João Oliveira, head da Mesa de Operações do Banco Moneycorp.

"O posicionamento técnico tem propiciado Brasil" como opção para os investidores em mercados emergentes, em momento de rotação global de ativos, aponta também Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, acrescentando que a aproximação do início da temporada de resultados das empresas brasileiras referentes ao quarto trimestre de 2025 tende a manter aceso o interesse dos investidores e o volume de negócios em ações.

"Bull market brasileiro continua, agora com o alívio das tensões geopolíticas, que ainda induz fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira mesmo com a recuperação vista também em outros mercados, como os da Europa. O que a gente imaginava para o final de 2026 talvez já esteja vindo até abril. Hoje só temos comprador, o que tem feito a Bolsa esticar rápido", diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.

Nesse contexto, se na quarta - quando o Ibovespa já havia fechado em alta de 3,33%, no maior ganho diário em quase três anos - apenas um dos 85 papéis que compõem o Ibovespa fechou em baixa, nesta quinta - em alta que chegou a superar, durante a sessão, a de ontem - apenas sete ações da carteira teórica encerraram no campo negativo. Tal dispersão dos ganhos mostra um avanço em bloco, sem tanta seletividade nesse momento, o que contribui para a percepção de que compras disseminadas - "sem vendedores", como observa Marcatti - ajuda no entendimento de que o índice pode inflar rapidamente, tornando menos atrativas futuras aquisições.

"O país vai crescer, e com uma taxa de juros que vai cair. Temos aqui um mercado alinhado, negociando ainda abaixo da média histórica de preço/lucro. O vento ainda é favorável a Brasil pelo menos até a reabertura do Congresso, em março, com o investidor estrangeiro de volta ao mercado local", observa Cima, da Manchester. Mas, com a retomada da agenda política e o início gradual da pauta eleitoral de 2026, a tendência é de que a volatilidade doméstica se imponha, favorecendo uma correção ainda que a temporada de balanços se mostre frutífera.

Nesta quinta-feira, destaque para as ações do setor financeiro, o de maior peso no Ibovespa, com nomes como Banco do Brasil (+4,69%), Itaú (PN +3,38%) e Bradesco (ON +3,53%, PN +2,73%). Embora em menor grau durante a sessão, e bastante enfraquecido no fechamento, Vale (ON +0,58%) e Petrobras (ON +0,69%, PN +0,45%) também deram contribuições, como na quarta.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Cogna (+7,41%), Vivara (+6,34%) e Rede D'Or (+5,70%). No lado oposto, RD Saúde (-3,86%), Prio (-1,34%), PetroReconcavo (-1,00%), Hapvida (-0,65%), Minerva (-0,51%), Brava (-0,11%) e Suzano (-0,02%), com parte do setor de energia em destaque em dia de perdas em torno de 2% para os contratos futuros do Brent e do WTI, em Londres e Nova York.

"O fator dominante, aqui, tem sido o fluxo de capital estrangeiro. Quando esse fluxo é volumoso, costuma se concentrar em ativos com elevada liquidez e grande capacidade de absorção de ordens, para reduzir impacto de preço na entrada e preservar a opcionalidade de saída no futuro", diz Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital. "Em outras palavras, o investidor estrangeiro prioriza papéis nos quais consegue montar e desmontar posição sem deformar o book e sem ficar 'preso' por falta de liquidez", acrescenta.

(Com Agência Estado)

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