O dólar fechou em queda de 0,68%, a R$ 5,2845 no segmento à vista, recuando 1,64% nesta semana e perdendo 3,73% no acumulado de 2026.
Desde quarta-feira, o presidente americano suavizou o discurso, mencionando que não usaria força para obter território na Groenlândia e suspendendo as tarifas contra países europeus, que eram previstas para fevereiro. Somado a isso, operadores têm ressaltado que o real segue atrativo para carry trade, com expectativa de que o ciclo de flexibilização monetária no Brasil comece apenas a partir de março, e há o entendimento de que a corrida eleitoral de 2026 ainda não está decidida.
O Morgan Stanley mencionou, em relatório a clientes, que "o mercado parece estar incorporando uma alternância de poder nas eleições deste ano, que acontecerão em outubro". Isso porque o grupo de ações mais relacionadas a uma mudança de governo subiu 59% em dólar desde janeiro de 2025, enquanto o que tem maior correlação com continuidade de governo avançou 47% no mesmo período.
Ainda assim, o maior vetor para o câmbio nesta quinta-feira, 22, foi o cenário externo. "Com certeza é um movimento global, pois o DXY está caindo e outras moedas emergentes também estão subindo", afirma o economista Guilherme Souza, da Ativa Investimentos, ressaltando que o discurso mais conciliador de Trump, desde ontem, é o principal driver.
Trump ressaltou que a estrutura do acordo da Groenlândia está "sendo trabalhada" e que "será incrível para os EUA". Contudo, a chefe de política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, disse nesta quinta que ainda não teve acesso ao acordo.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, nota ainda que há um forte fluxo estrangeiro direcionado a ativos brasileiros, sendo um vetor de baixa sobre o dólar na sessão. "O Brasil permanece como uma das moedas com maior carry entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar esse ano."
(Com Agência Estado)
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