"Nós não podemos abrir mão dos Estados Unidos, mas vamos lembrar que eles não têm que se mostrado grandes aliados. De maio do ano passado para cá está difícil, a relação não está simples", afirmou o ministro, enquanto participa da assinatura do Acordo de Cooperação técnica MDIC-Sistema Indústria na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Ele disse ainda que a China também é uma grande ameaça ao comércio brasileiro. Segundo ele, o Brasil tem ficado entre um parceiro que gostaria de tomar os mercados, em referência à China, e outro que se mostra hostil, que são os EUA. Ambos são os dois maiores parceiros comerciais do Brasil.
"De um lado nós temos um parceiro comercial que quer tomar o nosso mercado, e de outro um parceiro comercial que se mostra hostil, com barreira tarifária aos nossos produtos, e nós estamos falando do primeiro e do segundo parceiro comercial", completou Márcio Elias Rosa.
O ministro também citou que o governo deve finalizar o acordo com o Canadá e que, agora, o Japão também tem dito publicamente que quer um acordo de livre comércio com o País.
Para ele, o Brasil não pode se dar ao luxo de não ter política industrial, a qual precisa conter mecanismos de defesa comercial, porque o mundo do comércio internacional mudou e agora não adiantam mais medidas simples - como as antidumping, exemplificou - para proteger a indústria nacional.
O ministro disse que ainda há motivos para ter esperança no crescimento e desenvolvimento nacional, visto que o País já está com cerca de US$ 55 bilhões de saldo comercial até o fim de agosto e deve terminar o ano com mais de US$ 90 bilhões nesse quesito.
Crise no STF
Márcio Elias iniciou seu discurso na CNI citando que estava triste com o dia anterior. Sem citar diretamente o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de se investigar o ministro Alexandre de Moraes, ele disse que o fato não era bom para o País.
"Eu estou muito triste, o Brasil hoje não amanheceu melhor do que amanheceu nos outros dias, o que nós assistimos ontem não foi bom, ninguém é ingênuo a ponto de achar que isso não tem nenhuma implicação", declarou o ministro.
Ele disse achar tudo "muito estranho e desconfortável" em relação à crise no STF, mas, perguntado se achou o pedido de vista do ministro Flávio Dino uma ação protelatória, Márcio Elias disse que não iria comentar o caso pelo governo.
(Com Agência Estado)
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