A doutora em Ecologia, Carolina Joana da Silva, disse ao HNT TV Entrevista que o Pantanal, maior área úmida do planeta, é frágil e sofre impactos diretos das alterações climáticas nos outros dois biomas presentes em Mato Grosso - o Cerrado e Amazônia. Segundo ela, o ecossistema pantaneiro possui dinâmica própria, em que os períodos de cheia aumentam a produtividade, favorecem a oferta de peixes e ampliam a disponibilidade de frutos no entorno. Entretanto, a instabilidade climática atual coloca o bioma em situação delicada, o expondo a uma tendência de seca, o que reforça, na visão da pesquisadora, a importância de discutir o presente e o futuro do Pantanal na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA).
“O Pantanal é a maior área úmida do mundo, é único, singular e muito vulnerável. E o Pantanal depende da Amazônia. É muito importante esse debate acontecer durante duas semanas na floresta amazônica”, afirmou a especialista
O Pantanal é único, singular e muito vulnerável.
Carolina é professora adjunta da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e acumula mais de 50 anos dedicados à pesquisa científica. Seu vínculo com o bioma, porém, é anterior à vida acadêmica: ela nasceu em uma família de ribeirinhos de Santo Antônio de Leverger (34 km de Cuiabá), onde cresceu acompanhando a rotina da mãe, pequena agricultora, e explorando as curvas dos rios que moldaram sua relação afetiva e profissional com o Pantanal.
PANTANAL ESTÁ CONECTADO COM OUTROS BIOMAS
A pesquisadora reforça que a dependência do bioma em relação aos demais é visível até na fauna. De acordo com ela, muitas espécies presentes no Pantanal não são nativas.
“A nossa biodiversidade é toda de fora; poucas espécies são endêmicas, que só existem aqui”, explicou.
Quando falamos do Pantanal, também estamos falando da Amazônia
A água que alimenta o Pantanal segue a mesma lógica: a maior parte chega de outros biomas, o que contribui para períodos prolongados de seca quando há desequilíbrio climático.
“Quando falamos do Pantanal, também estamos falando da Amazônia. É uma interdependência. O Pantanal produz pouca água; a água vem de fora”, completou.
A missão de Carolina em desvendar e preservar o Pantanal foi reconhecida recentemente com duas honrarias. A professora recebeu o prêmio de R$ 30 mil pelo 2º lugar como pesquisadora destaque na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat); e com uma homenagem da Conselho Regional de Biologia da 1ª Região (CRBio-01).
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