Ter os dois jogando juntos foi, inclusive, uma estratégia da organização para ter Fonseca mais vezes em quadra. Foi realizado um trabalho nos bastidores para que os brasileiros jogassem lado a lado.
"Foi uma edição bem desafiadora, a gente estava fazendo uma montanha-russa, altos e baixos. Obviamente a gente começou ali com as desistências, mas depois teve o recorde brasileiro da chave. Também teve essa questão que a gente conseguiu fazer com que o Marcelo jogasse a dupla com o João", explicou Lui Caravalho, diretor do evento.
"Foi um trabalho bem costurado nos bastidores, não foi da noite para o dia. Depois, os brasileiros não foram muito bem... enfim, alto e baixo. Terminar num domingo depois de chuva, de cancelamentos e suspensões, acho que é bem positivo, obviamente culminando aí com o título do João e do Marcelo", concluiu.
Apesar dos desafios no campo desportivo, o evento, que distribuiu R$ 12,7 milhões em premiação - maior valor já pago nos 12 anos de história do evento -, foi um sucesso comercial. Segundo consultoria da Delloite, movimentou mais de R$ 200 milhões na economia do Rio de Janeiro, gerando mais de 5 mil empregos diretos e indiretos.
O grande interesse no torneio contrastou com o fato de muitos dos jogos, inclusive a final de simples em que o argentino Tomás Ectheverry foi campeão, terem quadras esvaziadas, mesmo com ingressos esgotados. Outras áreas do evento, dedicadas a ativações e gastronomia, contudo, estiveram sempre lotadas. O acesso às entradas foi um dos pontos que gerou críticas de consumidores, que relataram ingressos sumindo da plataforma de vendas na hora de finalizar a compra.
"A gente teve alguns probleminhas de sistema, de fato, que acabaram gerando esse ruído, mas os problemas são gerados muito pela quantidade de acessos ao mesmo tempo. Então, pra você ter uma ideia, foram 200 mil acessos na compra de ingressos do Rio Open no ano passado. Isso é muito. A gente tem essa quantidade de ingressos à venda, então acaba que o sistema às vezes não aguenta", explicou Carvalho.
EFEITO FONSECA
O certo é que, hoje, ter Fonseca, cujos jogos lotaram, é essencial para o torneio. A expectativa é que tenistas de maior renome voltem a frequentar o Rio Open nos próximos anos, especialmente depois de concluída da troca do saibro para o piso duro, mas a presença do principal tenista brasileiro da atualidade continuará sendo garantia de atratividade. Ele é o único que, no momento, tem um contrato com a competição.
"O sucesso do João Fonseca reforça o crescimento e a visibilidade que o tênis brasileiro vem conquistando nos últimos anos. O desempenho dele desperta mais interesse pela modalidade, atrai novos investidores e inspira jovens atletas. Nos campeonatos de base que realizamos, tem sido crescente o número de participantes nas idades entre 8 e 16 anos. Esse movimento fortalece todo o ecossistema do tênis no país e abre caminho para termos uma nova geração de tenistas ainda mais qualificados nos próximos anos", afirma Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis (FPT).
Desde que Fonseca começou a se destacar no circuito da ATP, o interesse por tênis aumentou, intensificando um movimento iniciado pelo bom momento vivido por Bia Haddad em 2023, quando foi semifinalista em Roland Garros.
"O impacto de João Fonseca, assim como também da Bia Haddad, é percebido diretamente no nosso canal de vendas. Desde 2023, a procura por pacotes ligados ao tênis cresceu de forma consistente, não apenas para o Rio Open, mas também para torneios internacionais como Wimbledon e US Open", comenta Joaquim Lo Prete, Country Manager da Absolut Sport no Brasil, agência que comercializa pacotes para alguns torneios internacionais da modalidade, como Roland Garros e Wimbledon.
O desempenho recente de João Fonseca, aliado à imagem de "bom moço" cultivada ao longo da carreira e ao histórico consistente de relacionamento com patrocinadores, evidencia o potencial comercial do brasileiro. Depois de um jogo de exibição com Carlos Alcaraz em Miami, em dezembro do ano passado, ele vai reencontrar o espanhol em novo amistoso, no Allianz Parque, no dia 12 de dezembro de 2026.
"Este momento do João Fonseca pode trazer inúmeros benefícios para a indústria esportiva, gerando mais interesse pelo tênis, tanto para praticá-lo, quanto para acompanhar as competições. O nome dele está em alta durante toda a temporada, ou seja, é o timing perfeito para instituições, marcas e clubes potencializarem sua atuação em torno desse esporte", analisa Lo Prete.
Fora das quadras, João Fonseca passa a ampliar sua carteira de patrocinadores. Após o recente acordo firmado com o Mercado Livre, o tenista já mantinha parcerias com ON Running, Rolex, XP Investimentos, JF Living e Yonex Tennis, consolidando sua presença também no mercado publicitário.
"A era digital mudou a dinâmica da construção de ídolos: redes sociais e a velocidade da informação fazem com que seu nome, rotina e conquistas se propaguem rapidamente, acelerando não só sua projeção, mas também a criação de oportunidades para ele e para as marcas que queiram se associar a essa ascensão", afirma Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.
(Com Agência Estado)
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