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Cidades Sábado, 23 de Maio de 2026, 09:39 - A | A

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ENTREVISTA

Detetive Araponga revela bastidores de investigações e atentados que sofreu em MT

Em entrevista exclusiva ao HNT, Wanderley Sulek Buche revela os bastidores de uma carreira familiar marcada por disfarces hollywoodianos e megaoperações financiadas pelo jogo do bicho

ANNA GIULLIA MAGRO
DA REDAÇÃO

Para Wanderley Sulek Buche, a investigação não é apenas um ofício, mas uma herança que corre no sangue de uma família moldada pela disciplina militar e pelo domínio da eletrônica. Conhecido no meio como Detetive Araponga, apelido inspirado em uma figura clássica da teledramaturgia e em uma tradição familiar que atravessa gerações, ele iniciou sua trajetória em 1992, trocando a rigidez das fardas do Exército pela liberdade de ser um "passarinho livre" no mundo da espionagem particular.

Com uma carreira que mescla tecnologia de ponta, como escutas israelenses, a disfarces de camuflagem dignos de Hollywood, Wanderley acumulou muitas histórias. Mais do que um observador de segredos alheios, ele se define hoje como um estudioso da mente humana, equilibrando o peso de investigações de crimes passionais e golpes milionários com um trabalho voluntário dedicado à inteligência emocional e à restauração de vidas.

O Hipernotícias entrevistou Wanderley para descobrir os percalços desta profissão.

Acervo Pessoal

Conheça o Detetive Araponga e sua família de investigadores

 

HNT: Por que Detetive Araponga?
Wanderley: Meu tio e meu pai já eram arapongas. Araponga é um pássaro branco lá do Paraná, todo branquinho, com cara verde. O apelido era por conta da pele branca deles e a boina verde, já que eram militares. Em 92, ano que comecei como detetive particular, saiu a novela da Globo e minha cunhada na época sugeriu: "Você já tem o apelido de Araponga. Pega o gancho da novela e investe nesse nome.” 

HNT: Você sempre soube que queria ser detetive particular? Como foi que você encontrou essa carreira?
Wanderley: Acho que vem de família, lembro que desde os 4 anos de idade já sabia que queria ser detetive. Está no sangue. Meu pai serviu ao exército, eu fui oficial do exército e por lá a gente aprende de tudo, desde armamento até eletrônica, área que meu pai se dedicou. Eu fui segundo tenente, mas meu cargo era temporário e eu não quis seguir carreira. Depois iniciei nos recursos humanos da polícia militar, porque na época já entrava direto como policial militar, mas era um pouco violento, não me adaptei. Como detetive, sou um passarinho livre.

HNT: Como funciona uma família de detetives?
Wanderley: Cada pessoa da família tem uma especialidade, atua como profissional em uma área diferente, uso isso nas investigações. Minha mãe era a chefe da tribo pela experiência de vida dela. Meu pai também, ele que fazia as buscas e apreensão dos veículos no interior, no Brasil inteiro. Ele também trabalhou no segmento de mecânica e serralheria, mexendo com segurança eletrônica, câmera, cerca elétrica e portões.

Já tive funcionários, mas é muita decepção por conta do sigilo, da confiança. Daí ficou uma empresa basicamente familiar. Quando eu pego o serviço todos trabalham. Até minha mãe, que estava com 87 anos quando faleceu, auxiliava. Ela morreu faz seis meses.

Muitos da família estão na área da educação, mas também temos empresas na área de alimentos que eu utilizo. Minha irmã tinha uma empresa na área de busca e apreensão de veículos que fazia essa correria na investigação. Agora está com um restaurante.

Quando precisa, eu monto a equipe e trabalhamos assim. Preciso de infiltrados às vezes. O empresário nos dá o suporte necessário para a investigação e nos contrata. Fabricamos o currículo e chegamos humildemente. Trabalhamos com o que precisa, de porteiro, na limpeza ou gerência ou que seja. Desse jeito eu acabei trabalhando para todo o segmento da sociedade.

HNT: É necessário preservar a identidade de alguma maneira?
Wanderley: Outras pessoas do nosso círculo social sabem que a família é de investigadores e sou detetive particular. Só precisamos preservar as identidades se formos trabalhar infiltrados. Mudamos a aparência com disfarces, barba, peruca, emagrecemos e engordamos. A gente chama na área militar camuflagem. Somos como camaleões.

HNT: Qual a parte mais difícil de ser um detetive?
Wanderley: Tem muitos atentados contra minha pessoa. Uma vez, um veículo derrubou o portão da casa do meu pai de manhã. O rapaz estava armado, meu pai estava próximo do portão, empurrei. O portão de quase uma tonelada ia cair por cima do meu pai, mas acabou atingindo o veículo que estava na garagem, os estilhaços se espalharam por toda parte.

HNT: Qual caso mais te marcou? 
Wanderley: Uma cobrança para bicheiros. Tenho todo tipo de cliente e eu não discrimino. O meu papo é investigar, o que eles fazem é problema para depois.

Foi uma operação que exigiu 6 meses de intensa investigação. Na época eu emagreci muitos quilos como forma de disfarce. Fiz umas 180 viagens Alto Paraguai, umas 200 para para Cáceres. Tinha uma pista de que este homem deu um golpe nos bicheiros, em pedras preciosas. A região é de garimpo.

Eu o localizei em uma ilha no Paraguai. Foi a oportunidade de uma aventura muito boa, eu conheci o Rio Paraguai desde a nascente até o divisor de águas andando a pé, depois de caiaque, depois de canoa e até chegar na divisa.

Fiz várias viagens que duraram cerca de um mês. Comprei equipamentos de navegação, contratei piloto de barco, cozinheiro, operador de máquinas e um piloto. Era um barco tipo casa, além de barcos pequenos para localizar. Tinha o barco mãe e os menores. Foi fretado até avião. Tive que fazer subornos nos outros países vizinhos para não atrair suspeitas da operação.O cliente financiou tudo.

Um primo meu da Argentina ajudou e meu pai também. No final eu fui sozinho para interceptar, localizar, imobilizar e entregar para os bicheiros. Peguei muita fama na época porque era eu bom e barato, ia atrás e resolvia. Me rendeu um bom valor e estabilidade boa.

Acervo Pessoal

Conheça o Detetive Araponga e sua família de investigadores

 

Hoje, longe dos esquemas de infiltração, dos rastreadores e das tecnologias israelenses de escuta , Wanderley Sulek Bush passa o tempo livre direcionando a sua aguçada percepção para uma missão completamente diferente: o voluntariado. Atuando ativamente em grupos de apoio emocional e na recuperação de dependentes químicos e alcoólicos, ele busca aplicar os conceitos da inteligência emocional para salvar casamentos e reestruturar lares antes que as crises atinjam um ponto sem retorno. O detetive, que já testemunhou de perto o desfecho trágico de crimes passionais motivados pelo ciúme cego, agora atua como um conselheiro tático na reconstrução de pontes e no incentivo à psicoterapia. 

Para quem aprendeu a se camuflar no meio social para expor a verdade, o anonimato dessas salas de reunião é sagrado. Bush defende que o remédio para as mazelas da mente muitas vezes entra pelo ouvido e o mal sai pela boca, reforçando que sua maior gratidão hoje não vem dos honorários, mas sim do retorno humano de ver uma vida restaurada. Afinal, para quem passou mais de três décadas decifrando os segredos mais obscuros da sociedade , o verdadeiro poder não está em desvendar uma traição , mas na capacidade de estender a mão para restaurar o próximo.

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