A desembargadora Adenir Alves da Silva Carruesco publicou um novo vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira (22) para esclarecer o posicionamento feito anteriormente sobre racismo estrutural, após a repercussão nacional do relato em que contou ter sido confundida com funcionária de um supermercado em Cuiabá.
Segundo a magistrada, o vídeo publicado no último domingo ultrapassou milhões de visualizações e chegou a ser reproduzido por páginas e veículos internacionais. Na nova manifestação, Adenir afirmou que a reflexão nunca teve como objetivo atacar a cliente que a abordou no estabelecimento, tampouco desmerecer profissões consideradas operacionais.
“O vídeo nunca foi sobre uma pessoa específica. E também nunca foi sobre desmerecer qualquer profissão, todo trabalho é digno”, escreveu a desembargadora na legenda da publicação.
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Durante o pronunciamento, a magistrada voltou a defender que o episódio expõe mecanismos do chamado racismo estrutural, conceito que, segundo ela, não depende necessariamente de intenção ofensiva explícita para se manifestar.
“O racismo estrutural que o vídeo denuncia não precisa de intenção maldosa, ele precisa apenas que a gente reproduza sem refletir uma lógica que já está dada”, afirmou.
A desembargadora explicou que o debate proposto envolve padrões automáticos construídos historicamente pela sociedade brasileira, que associam pessoas negras a determinados espaços sociais e raramente a posições de liderança, comando e poder.
“O foco nunca foi a pessoa que confundiu. Não existe hierarquia de valor entre quem trabalha. Isso não é sobre a profissão, é sobre o atalho mental que a história brasileira gravou em nós”, disse.
No vídeo, Adenir também rebateu críticas de internautas que interpretaram o relato como vitimização ou preconceito contra trabalhadores de funções consideradas “de base”. Segundo ela, reconhecer como corpos negros são socialmente percebidos não significa inferiorizar profissões.
“Reconhecer que seu corpo é lido de uma determinada maneira pela sociedade não é reclamar nem ser vitimista, é enxergar”, declarou.
A publicação gerou ampla repercussão nas redes sociais e reuniu manifestações de apoio de integrantes da comunidade jurídica, movimentos sociais, professores, advogados e seguidores. Muitos internautas relataram experiências semelhantes envolvendo profissionais negros em espaços de prestígio.
Entre os comentários, seguidores afirmaram que o episódio ajudou a ampliar o debate sobre racismo estrutural e representação negra em espaços de poder. Outros usuários, porém, criticaram a interpretação apresentada pela magistrada e discordaram da associação entre o episódio e discriminação racial.
A desembargadora encerrou o vídeo reforçando que o objetivo continua sendo estimular reflexão pública sobre preconceitos naturalizados socialmente.
“Porque preconceito nem sempre grita. Às vezes, ele apenas parece normal”, concluiu.
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