Cidades Quarta-feira, 02 de Novembro de 2011, 18:40 - A | A

Quarta-feira, 02 de Novembro de 2011, 18h:40 - A | A

MUDANÇA NA EDUCAÇÃO

Decisão de cotas para alunos da rede pública chegou tarde, diz Grucon

Outra luta encampada pelas entidades que apóiam o sistema de cotas é acompanhar o desempenho dos beneficiados nos 10 anos de avaliação do sistema pela UFMT

Mayke Toscano/Hipernotícias

Sistema de cotas, no qual destina 50% das vagas da UFMT para alunos do ensin público, é a esperança de um equilíbrio na educação superior no Brasil e entidade diz que Instituição de Mato Grosso está atrasada na aplicação do sistema

A decisão de destinar 50% das vagas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para alunos da rede pública de ensino, incluindo cotas para negros, chegou tarde conforme explicação do Grupo de União de Consciência Negra, que afirmou que nunca foi aplicado o sistema de sobrevagas aprovado pela instituição em novembro de 2003.

A presidente do Grucon, Daniela Rodrigues, disse que um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) apontou que durante esses 8 anos em que a cota para negros foi instituída pela universidade, cerca de 10 mil alunos deixaram de estudar no maior centro de formação superior do Estado, que atende a 22 mil alunos nos campi de Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Barra do Garças.

A reparação da lacuna social desses anos só foi feita quando o procurador do Ministério Público Federal, Gustavo Nogami, considerou ilógico a instituição continuar reproduzindo a política de desigualdade e tomou a atitude de recomendar, em abril deste ano, que o sistema de sobrevagas, para o acesso de negros pobres, brancos pobres e índios ao ensino público superior fosse aplicado conforme foi decido pela própria UFMT através da Resolução do Conselho Superior de Ensino.

 

Mayke Toscano/Hipernotícias

Alunos durante protesto na UFMT neste ano; pressão para aprovar o sistema de cotas para a rede pública de ensino

 

A resolução foi aprovada no dia 10 de novembro de 2003, no qual prevê um adicional de 30% das vagas de cada um dos cursos regulares oferecidos pela UFMT para serem preenchidas conforme a classificação obtida pelos vestibulandos negros e brancos pobres, e indígenas (10% das vagas), na seguinte proporção 45%, 45% e 10%, respectivamente.

A recomendação é a primeira atitude antes de entrar com medidas administrativas e judiciais, mas a instituição se reuniu e resolveu aprovar o sistema de cotas na segunda-feira (31), no qual das 5,2 mil vagas abertas todos os anos, 2,6  mil serão destinadas a alunos que estudaram desde a 1ª série no ensino público. Destas, 520 são para negros que também só frequetaram escolas públicas.

O Grucon disse que a ação afirmativa da UFMT está atrasada em relação as outras universidades do Brasil. “Mais de 130 universidades no país já apoiaram as políticas sociais e raciais. O que existia era o sistema de sobrevagas, mas nunca foi operada. Existia de direito, mas não foi aplicado. Agora com as cotas vai existir um equilíbrio, no qual alunos que tem condições para pagar vão para faculdades particulares. A política social e racial através das cotas vai terminar com a questão racial, dando acesso à todos”, informou Daniela Rodrigues.

O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep) publicou nota oito dias antes da decisão tomada pela UFMT. A posição do Sintep se resume perceber a existência das diversidades. Sendo preciso construir o respeito às diferenças.

Um trecho da nota diz: “O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) defende firmemente a ampliação do número de vagas no ensino público superior no país. No entanto, neste momento considera fundamental a adoção do sistema de cotas para estudantes oriundos das escolas públicas nas universidades públicas, pois significa um passo a mais em direção à inclusão social da maior parcela da sociedade brasileira e mato-grossense que frequenta a escola pública.”

OUTRA LUTA

A UFMT irá analisar durante 10 anos o impacto do sistema de cotas na instituição e avaliar se está dando certo ou não.

Para Daniela Rodrigues do Grucon, a próxima luta encampada pelas entidades que apoiam o sistema de cotas é comprovar em dados que a ação afirmativa que será aplicada é fundamental para o processo de desenvolvimento social e educacional do país.

“Vamos acompanhar o processo para que os alunos não se evadam, não tenham baixo desempenho, não sofram até mesmo preconceito. Queremos buscar meios de auxiliar jovens e comprovar que essas cotas são importantes”.

Em relação ao desempenho dos alunos da rede pública no ensino superior, já que o sistema educacional fundamental está deficitário, a representante do Grucon acredita que será um processo tranquilo.

De acordo com Daniela existe exemplos na Universidade Federal de Brasilia (UnB) em que os cotistas que entraram com nota abaixo do esperado, durante o curso superaram o desempenho dos alunos que não estavam dentro das cotas. “Os alunos superaram porque demonstraram esforço durante o curso”, salientou.
 

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Anselmo Calábria 03/11/2011

Até o momento, foram 10 mil negros mutilados, pelo ranço de quem deveria dar maior apoio e respeito. Oriento, os ativistas negros que coloquem de imediato, nas dependências da UFMT, um Promotor Público de prontidão. Motivos: preconceito aos negros e pobres na entidade, já é, uma tradição. Haja visto, os 10 mil prejudicados, nos últimos anos. Porém, já podem entrar com uma Ação Indenizatória para reparar os danos causados aos Negros e Pobres vítimas deste descaso que tem uma característica de preconceito e racismo. Quantos negros se formaram "médicos", "engenheiros" e "advogados"? Ou, só foram beneficiados, em cursos conhecidos como de "fundo-de-quintal"? Filhos de políticos, empresários, latifundiários e plantadores de soja, são, em sua maioria, as "meninas dos olhos" dos rancorosos e preconceituosos. Então, será preciso, um Promotor Público de prontidão, para dar sustentação e fazer prevalescer, os seus direitos. A UFMT, foi retrógrada e preconceituosa? Pensou que ainda estava, em plena ditadura militar? Os negros, tiveram que alertá-la? Acorda UFMT. O Brasil mudou.

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