O gastropub Cão Véio, concebido pelo chef Henrique Fogaça e pelo músico Fernando Badauí, encerrou suas atividades em Cuiabá menos de sete meses após a inauguração oficial. Instalado em um casarão histórico no bairro Duque de Caxias, o empreendimento movimentou o cenário gastronômico local ainda antes da abertura, mas terminou com portas fechadas e perfil nas redes sociais desativado.
A franquia foi anunciada como uma das apostas mais comentadas do circuito gastronômico de 2025 em Cuiabá. Antes da inauguração oficial, o cantor Badauí esteve no local acompanhando as obras no imóvel centenário, conhecido por ter abrigado por décadas o salão do cabeleireiro Ulisses Calhao. Em 2 de julho de 2025, o evento de abertura contou com a presença dos fundadores, open bar e open food e ingressos vendidos a R$ 500.
A proposta da casa unia carnes, hambúrgueres autorais, carta de drinks e rock n’ roll em um ambiente que misturava pub, bistrô e gastronomia contemporânea.
CONFUSÃO MARCOU A PRIMEIRA SEMANA DE OPERAÇÃO
O Cão Véio ganhou repercussão nacional ainda no primeiro fim de semana de funcionamento, em janeiro, quando uma confusão envolvendo som e fiscalização terminou com a Polícia Militar no endereço e o prefeito de Cuiabá indo pessoalmente ao local.
Vídeos publicados pelo empresário e franqueado André Pagnoncelli mostraram policiais determinando que a festa de inauguração fosse encerrada, sob pena de prisão. Na ocasião, Pagnoncelli afirmou que investiu R$ 1,8 milhão para trazer a franquia à capital e relatou trabalhar “19 horas por dia” para realizar o projeto.
A magistrada que acionou a PM disse, dias depois, que não buscava o fechamento do bar, mas reagiu a reclamações de vizinhos e relatou que o som estava “como se o rock estivesse dentro de casa”.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública mediu os decibéis e informou que não havia irregularidades. Após esclarecimentos, o evento seguiu normalmente.
Após o episódio, o gastropub consolidou seu funcionamento. Passou a abrir para almoço aos domingos e realizou ações temáticas, como o especial de Dia dos Pais com brindes exclusivos para os clientes. O casarão chegou a figurar entre os espaços mais fotografados da capital e o menu tornou-se tema recorrente em perfis de gastronomia.
ENCERRAMENTO REPENTINO
No fim de dezembro de 2025, a unidade anunciou um “recesso”, sem previsão de retorno. Poucas semanas depois, em meados de janeiro de 2026, fontes próximas à administração confirmaram que a franquia não reabriria mais as portas.
O fechamento se deu menos de sete meses após a inauguração oficial, embora o Cão Véio tenha operado por pouco mais de um ano se considerado o “soft opening” iniciado no fim de 2024.
A assessoria informou que o encerramento seria temporário, mas não houve nova movimentação, e o perfil do estabelecimento desapareceu das redes. Por trás da decisão, interlocutores afirmam que a gestão optou por concluir as atividades de forma organizada, preservando colaboradores e fornecedores.
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