"Todo mundo diz que quem decide se o governo é bom ou ruim é a economia. Mas o Brasil está criando empregos, as coisas começam a melhorar e eu não ganho nenhum ponto, não mexo uma vírgula nas pesquisas", disse Temer ao deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade, um dia antes de a Câmara derrubar a denúncia contra ele por obstrução da Justiça e organização criminosa.
O presidente citou até os títulos de propriedade rural que o governo já entregou, desde meados do ano, ao lembrar que nem assim obteve mais apoio. Continua exibindo um dígito solitário, sempre na casa dos 3%.
A receita para aumentar o desempenho não tardou. "Você precisa ir na roça, só que sem gravata nem paletó. Não adianta ficar só nesses eventos com ar condicionado", sugeriu Paulinho. Mais do que depressa, o presidente vestiu o figurino de homem do campo e pediu para o deputado ajudá-lo a organizar visitas a assentamentos.
O esforço de Temer para ultrapassar a barreira de um dígito é acompanhado de uma ofensiva do governo nas redes sociais. Mas até uma foto do presidente ao lado de seu cachorro Thor - postada no Twitter, no último dia 15 - foi alvo de críticas implacáveis. Intitulada "Domingo de Carinho", a mensagem do peemedebista dizia: "A jornada é difícil, mas sempre há tempo para o Thor."
'Gente como a gente'
Usada por políticos de A a Z, inclusive pela presidente cassada Dilma Rousseff, a estratégia para suavizar a imagem de Temer e torná-lo "gente como a gente" até agora não deu certo. Sofrendo os efeitos da seca de Brasília, o Golden Retriever tinha fisionomia abatida. Seu dono, por sua vez, não escondia o desânimo.
Mesmo no Palácio do Planalto, muitos consideraram a ideia um desastre. Nos bastidores, o "fogo amigo" na equipe de comunicação continua até hoje. Com estilo formal e sem carisma, Temer apanha dia e noite nas redes sociais. Sem a segunda denúncia pela frente, porém, ele tentará vencer a crise política mostrando resultados na economia, em mais uma tentativa de conquistar aprovação e não chegar anêmico no ano eleitoral de 2018. Até agora, pesquisas em poder do Planalto indicam que a população não sente no bolso os efeitos da pífia melhora dos indicadores econômicos.
Sob o mote "Agora é Avançar", a nova propaganda do governo terá referência ao futebol, na linha "O campeão voltou". Tudo será reembalado para tirar do papel a teoria do craque de marketing político James Carville, autor da célebre frase "É a economia, estúpido!" na campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com Agência Estado)
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