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No 4º mandato, Lula precisa encontrar dupla como Palocci e Meirelles e empoderar, aponta Kassab

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará encontrar uma dupla na economia semelhante à formada por Antonio Palocci e Henrique Meirelles, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central (BC) no primeiro governo do petista. Kassab falou sobre o tema em entrevista ao programa Canal Livre, da Band e da BandNews TV, que vai ao ar neste domingo, 1º de novembro.

"Ele (Lula) ganhou assumindo alguns compromissos no campo social. Eu acho que não adianta, ele vai cumprir e é importante que cumpra. Mas ele tem que encontrar, para conduzir a política econômica, uma dupla como foi a dupla Palocci e Meirelles", afirmou o presidente do PSD, quarta maior bancada partidária na Câmara, com 43 deputados. Ele condicionou uma eventual participação formal na base aliada a um diálogo efetivo com o centro.

"O PSD não pode se sentir como base se não tiver um governo que tenha os seus olhos também para o centro. Eu passei uma mensagem ao presidente, cumprimentando pela vitória, e no momento que ele nos convidar para uma conversa, nós vamos deixar muito claro isso, que nós acreditamos que se ele fizer um governo também voltado ao centro, ele terá a chance maior de ser bem sucedido", declarou.

No momento, os principais nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula são: Rafael Fonteles, governador do Piauí (PT), e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, que também acumulou a chefia do Ministério da Indústria e Comércio de 2023 a início de 2026. O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem mandato na autoridade monetária até dezembro de 2028.

Gilberto Kassab ressaltou que o partido pode apoiar Lula, se o petista montar uma gestão voltada para o centro político e com diretrizes claras na economia. "Se ele fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais do país, em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário, por que não apoiá-lo?", questionou.

Para Kassab, Lula precisa "empoderar" os nomes da área de economia dentro do governo. "O que o Lula precisa fazer agora é encontrar a sua dupla Meirelles-Palocci, delegar o comando, empoderar para que eles possam atingir o objetivo de trazer equilíbrio fiscal, tranquilizar o mercado", declarou.

Na entrevista, ele reforçou o argumento de segurança e estabilidade fiscal para garantir investimentos no Brasil. "O mercado são as pessoas que têm recursos, que estão no Brasil e querem ficar, ou que estão lá fora e querem vir. Mas se elas não tiverem a segurança que vai ter aqui uma queda de juros, a promoção num equilíbrio fiscal, num ajuste fiscal, vão embora e os outros não virão", avaliou.

Em um cenário mais adverso no Congresso, Lula precisará abarcar membros de diferentes partidos políticos para formar uma base governista. O PSD perdeu cinco deputados nas eleições gerais deste ano, saindo de 48 para 43 nomes. Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro, o PL terá uma bancada expressiva de 121 deputados e de 28 senadores. Ou seja, para conseguir avançar com sua agenda no Congresso, Lula precisará de partidos do Centrão - que tendem a ser contemplados novamente com ministérios.

O presidente do PSD disse na entrevista deste domingo que a montagem da equipe econômica deve envolver dois nomes centrais no Planejamento e na Fazenda. "É fundamental que o Lula empodere duas pessoas: no Planejamento, que saiba entender os gastos para fazer os cortes, e na Fazenda, que saiba tranquilizar o mercado", ponderou.

Para Kassab, o contexto atual é mais complexo do que o de 2003. "Nós temos hoje um cenário totalmente diferente e muito mais desfavorável, o que faz com que, mais do que nunca, ele entenda que a sua prioridade e a vontade do governo é não errar no ministro da Fazenda e no ministro do Planejamento. São os pilares principais de um governo para dar certo", acrescentou. O presidente do PSD também defendeu que o ajuste fiscal ocorra sem aumento de impostos. "Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária", completou.

A entrevista de Gilberto Kassab vai ao ar no Canal Livre neste domingo, às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band.

(Com Agência Estado)

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