O crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo há quase 24 anos. Fernanda foi atingida por um disparo no peito após ela pedir separação. Segundo a investigação, ela havia confrontado o marido pelo uso abusivo de cocaína e um relacionamento amoroso que ele mantinha com uma travesti.
Nahas é de uma família de alto poder aquisitivo e de descendentes de sírios-libaneses. Havia o receio de que ele estivesse foragido no exterior.
Durante o processo, todas as provas periciais apontaram para autoria de Nahas, e o Ministério Público defendeu a condenação por homicídio qualificado. A defesa, entretanto, sustentou a tese de que Fernanda sofria de depressão severa e cometeu suicídio. A família Orfali sempre rechaçou esta versão e afirma que Fernanda jamais passou por tratamento psiquiátrico.
Após uma série de recursos, o julgamento de Nahas só ocorreu 16 anos após o assassinato de Fernanda. Ele foi condenado em júri popular por homicídio simples, sem qualificadoras, e sentenciado em primeira instância à pena de sete anos de prisão em regime semiaberto.
O Ministério Público recorreu e a pena foi elevada para 8 anos e 2 meses de prisão. No ano em que o crime ocorreu, não havia a Lei do Feminicídio (2015), nem mesmo a Lei Maria da Penha (2006).
Nahas permaneceu em liberdade enquanto recorria da condenação às instâncias superiores. Quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, a Corte confirmou a pena do empresário e determinou o cumprimento imediato, inicialmente em regime fechado. A defesa ainda apresentou novos embargos até a condenação transitar em julgado.
Em junho de 2025, o juiz da 1ª Vara do Júri na capital, Roberto Zanichelli Cintra, expediu o mandado de prisão em desfavor do empresário e determinou a inclusão dele na Difusão Vermelha da Interpol, medida que permite que autoridades de outros países possam prendê-lo caso ele tivesse deixado o Brasil.
No sábado passado, 17, Nahas circulava livremente pelas ruas de Praia do Forte, onde em 2002 passou a lua-de-mel com Fernanda seis meses antes de assassiná-la. Foi, então, reconhecido pelas câmeras de videomonitoramento e reconhecimento facial. Os policiais confirmaram a identidade do homem com mandado de prisão em aberto e localizaram o empresário no condomínio Kawai, na Praia dos Artistas, no centro de Praia do Forte.
Ao ser abordado, não ofereceu resistência. Com Nahas, a polícia encontrou 17 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.
A advogada do empresário, Adriana Machado Abreu, afirmou que Sérgio Nahas mora na Bahia desde o ano passado. Segundo ela, ele é uma "pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde e que não tinha interesse em ficar foragido."
Por não ter feito contato com o cliente desde sua prisão, a advogada preferiu não comentar sobre os pinos de cocaína que, segundo a polícia, estavam com ele.
Para o advogado da família Orfali, Davi Gebara, o alto poder aquisitivo de Nahas permitiu que a tramitação do processo se alongasse na Justiça, por meio da interposição de recursos. "Observamos um padrão de atraso processual, com apresentação sucessiva de recursos e embargos", afirmou.
(Com Agência Estado)
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