"Acho que ele não tem nem muito o que aceitar, porque é difícil você mudar essa conduta", disse Eduardo. "O Tarcísio, até ontem, é um servidor público, um desconhecido da sociedade (sic), que ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura e depois foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro."
Segundo Eduardo, "Tarcísio é inteligente" e, por isso, "não tomará esse caminho". Ele afirmou ainda que o cargo de governador de São Paulo é estratégico e que qualquer gestor que cumpra dois mandatos bem avaliados no Estado projeta seu nome como presidenciável por décadas. Na avaliação do ex-deputado, o arranjo político de Flávio já está definido e o jogo de bastidores, encerrado. Acrescentou que o irmão é um político habilidoso e articulado e que, mais cedo ou mais tarde, "para um número cada vez menor de céticos", ficará claro ao eleitorado que ele é o candidato.
"Para presidente, vai ser Lula contra Flávio Bolsonaro", prosseguiu. "Se ele tentar qualquer medida para fazer alguma coisa diferente e sair candidato, no barato ele vai se equiparar ao João Doria." O ex-chefe do Executivo paulista passou a ser visto como um "traidor" no bolsonarismo após se posicionar contra Jair Bolsonaro na pandemia de covid-19, visando as eleições presidenciais de 2022.
Eduardo enfatizou que, no desenho atual, Flávio será o candidato à Presidência, enquanto Tarcísio disputará a reeleição ao governo paulista. Afirmou ainda que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), também deve entrar na corrida presidencial, mas com "chances reduzidas", ressalvando o trabalho realizado pelo paranaense. Para ele, o cenário eleitoral já se encontra polarizado.
Visita
As declarações ocorreram após a visita de Tarcísio ao ex-presidente - prevista entre 8h e 10h no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda - ser adiada sob a justificativa de "compromissos" no Estado. Na agenda oficial do governador, entretanto, constam apenas despachos internos.
De acordo com interlocutores do governador ouvidos pelo Estadão/Broadcast, o recuo ocorreu após Tarcísio ponderar que a conversa poderia abrir espaço para cobranças por um posicionamento mais enfático em favor da candidatura presidencial de Flávio. Embora sustente publicamente o projeto de disputar a reeleição em São Paulo, o chefe do Executivo paulista é citado nos bastidores como um potencial nome da direita para a corrida ao Palácio do Planalto este ano.
A pessoas próximas, Tarcísio tem externado desconforto diante das pressões reiteradas de segmentos do bolsonarismo por um apoio mais explícito ao projeto presidencial de Flávio. Em conversas reservadas, relatou a percepção de que, para esse grupo, nenhuma demonstração de alinhamento tem sido suficiente. Após o recuo, o governador passou a ser alvo de críticas de bolsonaristas, inclusive de forma aberta pelo vice-prefeito da capital, Mello Araújo (PL).
Em seus discursos, Tarcísio passou a focar no Estado que governa, após Bolsonaro abençoar o filho mais velho como candidato do grupo político. O movimento busca afastar qualquer leitura de concorrência com o senador e evitar ataques dos filhos do ex-presidente. O chamado "fogo amigo", aliás, sempre figurou entre os principais fatores de cautela do governador em relação a uma eventual disputa pelo Planalto. Tarcísio nunca contou com apoio unânime do clã, em especial do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O desconforto foi reforçado em episódio recente envolvendo Eduardo e o pastor Silas Malafaia. Após o líder religioso afirmar preferir Tarcísio como candidato da direita à Presidência, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice, o ex-parlamentar reagiu nas redes sociais. Na plataforma X, publicou uma sequência de imagens do governador cumprimentando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gesto interpretado como tentativa de constranger o aliado e reforçar críticas à sua postura institucional. Eduardo já afirmou, inclusive, que Tarcísio "não é de direita".
A rusga entre os dois é anterior ao aquecimento do debate presidencial de 2026, mas se intensificou após a atuação de Eduardo nos Estados Unidos em defesa de sanções do presidente americano Donald Trump contra o Brasil. À época, Tarcísio afirmou a aliados que o ex-deputado se tornou o "maior cabo eleitoral de Lula" e estaria "fazendo gol contra" de forma recorrente.
(Com Agência Estado)
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