É natural que, ao longo do tempo, os relacionamentos conjugais passem por desgastes. A convivência diária, as mudanças individuais, as demandas da vida moderna e os desafios emocionais podem, pouco a pouco, comprometer o diálogo e a harmonia entre duas pessoas que escolheram caminhar juntas. Quando esse desgaste não é cuidado, tende a se acumular, aumentando o risco de rupturas que, muitas vezes, chegam de forma abrupta e com consequências difíceis de prever.
Nesse contexto, a terapia de casais surge como um importante recurso para a prevenção e o enfrentamento das crises conjugais. A busca por ajuda profissional antes que os conflitos se tornem insustentáveis pode evitar separações precipitadas e favorecer a reconstrução do vínculo. A ideia central é simples, mas poderosa: cuidar da relação enquanto ainda há espaço para o diálogo e para o entendimento mútuo.
Nos últimos anos, fatores como a pandemia da Covid-19, as transformações nos costumes sociais e a expansão das redes sociais passaram a ser frequentemente associados ao aumento dos índices de divórcio. A facilidade de acesso a novas formas de interação, aliada ao estresse cotidiano e à sobrecarga emocional, tem colocado muitos casais à prova. Ainda assim, é importante reconhecer que as crises conjugais não são um fenômeno exclusivo da contemporaneidade. Elas sempre existiram, em diferentes épocas e contextos históricos, inclusive desde os tempos bíblicos, sem que se possa apontar uma única causa como responsável pelo seu surgimento.
O que se destaca, independentemente do período histórico, é a importância do diálogo. Quando esse diálogo se rompe, a Psicologia pode oferecer um espaço seguro e mediado para que o casal volte a se escutar. A terapia de casais não se propõe apenas a “apagar incêndios”, mas a ajudar os parceiros a compreenderem suas dinâmicas, expectativas e formas de se relacionar. Quanto mais cedo esse apoio é buscado, maiores são as chances de reconstrução e fortalecimento da relação.
Uma metáfora possível para o relacionamento conjugal é a da nutrição. Assim como o corpo precisa de nutrientes adequados para se manter saudável, o casamento também necessita de cuidados constantes. Nutrir a relação vai além de suprir necessidades básicas; envolve cultivar sentimentos, renovar esperanças, investir em afeto, respeito e aprendizado mútuo. Trata-se de um processo contínuo de manutenção da saúde emocional do vínculo.
Inserida no campo da saúde mental — tema que ganha visibilidade com campanhas como o Janeiro Branco —, a terapia de casais se mostra uma alternativa viável e eficaz. Muitos casais que recorreram a esse recurso relatam melhorias significativas na comunicação, no entendimento e na qualidade da convivência, resgatando, em muitos casos, a sensação de parceria e bem-estar vivida no início da relação.
Cuidar do relacionamento é, acima de tudo, um ato de responsabilidade emocional consigo mesmo e com o outro.
(*) LUARA AINÁ (CRP-DF 01/17472) é Psicóloga Comportamental e Especialista em atendimento de casais.
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