Artigos Quarta-feira, 06 de Abril de 2011, 07:32 - A | A

Quarta-feira, 06 de Abril de 2011, 07h:32 - A | A

Sustentabilidade, a grande ‘commodity’ - 1

Jornalista discute se sustentabilidade é uma comoditie ou um conceito, e conclui: “sustentabilidade já é um produto de base ou matéria-prima imprescindível"

Para a previsão de valorização crescente das commodities agrícolas temos o evolutivo destempero climático mundial. Ao mesmo tempo em que seus efeitos sobre a produção sobem os preços dos alimentos pela decorrente escassez e, lado a lado, o aumento da necessidade de consumo, são também o fator que pode destronar os reis das commodities no mundo e desbancar uma a uma, ou em larga escala, as produções agrícolas.

Quando o assunto é geração de “energias”, o cenário futuro não é diferente, talvez possa ser pior.

No caso da energia elétrica, os pedidos em aberto são grandes e as soluções vêm em detrimento justamente dos valores que agora devem sumariamente ser colocados à mesa de negociações. O quadro piorará em médio e longo prazos se não forem acelerados os incentivos ao consumo de tecnologias de geração de energia limpa e houver a insistência em formatar sistemas artificiais a qualquer custo ambiental (como podemos observar no apelidado projeto de hidrelétrica “Belo Monte de problemas”).

Daqui a 10 anos, o barril de petróleo deverá ultrapassar os 200 dólares, estimativa que indica sua alta necessidade versus a possibilidade de redução. Para a aposta no pré-sal brasileiro, e a gigantesca propaganda eleitoral que significou em 2010, este, segundo o conceituado analista mundial Jim Rogers, corresponde à demanda global de apenas um ano (Será? Entre publicidade e veracidade, fico com a certeza de que todas estas fontes são esgotáveis, mas as consequências do uso exagerado destas prometem ser quase eternas sob as formas de chuvas ácidas e efeito estufa).

A bola da vez neste contexto é a Venezuela e sua proclamada (mas não comprovada pela OPEP) maior reserva do mundo, superando a Arábia Saudita. Mas, em ambos os países, e em outros grandes exportadores, os conflitos sociais são gritantes ou anúncios bem evidentes, e as intempéries de humores, seja de reis, xeiques, xás ou de presidentes, podem superar as climáticas e prejudicar meio mundo, como já nos conta a História.

Aqui chegamos no outro lado do tripé da sustentabilidade – as pessoas. Muito além do ‘revêstrés’ possível nas decisões ditatoriais, a alta tensão do aumento da população nas regiões e países, a possibilidade de guerras atreladas a diferenças de sistemas político-sociais ou religiões, subempregos, e esgotamento de determinados recursos vitais à sobrevivência populacional (água potável e alimentos, além da energia, estão entre os mais críticos) mostram estatísticas tenebrosas. Por um viés esta massa humana pode gerar desestabilidade de várias ordens em seus países de origem, comprometendo fornecimentos importantes para o mercado externo; podem também ser a pressão para que suas lideranças ajam tacanhamente em relação a outros países, dada a necessidade de sobrevivência; e ainda terem atuação direta e negativa de inumeráveis formas.

Paralelamente prosseguimos: no esgotamento das reservas naturais; com o aumento do consumo destas matérias em todas as esferas para gerar a força motriz de todos os processos - da produção agrícola, passando pela industrialização à comercialização, e movimentar a logística de transporte e sua crescente frota de veículos de inúmeros tipos – leves, semileves, pesados, etc.; para alimentar ao mundo, com população crescente...

Cientistas estão 'correndo atrás' de soluções para que não se aprofundem os fossos de desigualdade social e para que os prejuízos ambientais não se tornem catástrofes também socioeconômicas em proporções incontroláveis. Mas os incentivos governamentais no mundo todo, e as metas de produção fora deste imprescindível padrão – com sustentabilidade - vêm sendo maiores, tanto nos pequenos detalhes quanto nas grandes estratégias; igualmente nas maiores nações, nos grandes estados e pequenos municípios, assim como nas frações que os compõem – organizações familiares, empresariais, públicas, etc.

A riqueza do globo terrestre nunca foi tão bem contabilizada e estratificada no mapa mundi – em toda a sua abrangência (humana, mineral, animal, natural, industrial, comercial, tecnológica...) quanto nestas duas últimas décadas.

Igualmente a miserabilidade de nossas mentes e corações nunca foi tão acertadamente calculada e evidenciada em nossas estratégias para o mundo, que já em 2020 ou 2030 não mais terá condições de se “auto-sustentar” dentro dos recursos que buscamos e os que, conscientemente, descartamos.

Por isso, sem dúvida, os valores (financeiros, morais e espirituais), as técnicas e planejamentos que prevêem e acertem nas composições que contemplem o tripé Pessoas-Meio Ambiente-Lucro são as atuais e maiores deficiências e incompetências atestadas. E, apesar de os especialistas (das bolsas de valores, das ciências e dos mercados mundiais) não terem feito esta referência direta, está claro em seus estudos e dados que “sustentabilidade”, sem dúvida, será a ‘commodity’ de maior preço no mercado, lembrando que sua fonte é inesgotável, e seu valor igualmente tende a subir sem igual nem precedentes. Para reforçar: em cifrões, não necessariamente em unidades de “ideal verde” ou “sonho lindo”, se bem que também o é.

Ainda em termos de futuro próximo, pode até ser que algum dia um analista de mercado apareça com aqueles estudos que não dão soluções para nossas vidas, e ainda comprovam imbecilidades, e dirá que “sustentabilidade” não pode ser commodity, porque não é ‘mercadoria’, mas um conceito de gestão. Eu, que sou extremamente retardada para operações financeiras e, confessadamente, tenho o quase pecado social e pessoal de não dar atenção à transição entre as classes sociais, além de minha fala não estar sendo cotada na bolsa de valores e nem sendo disponibilizada em negócios do grande mercado, digo que “sustentabilidade” já é, e se fortalecerá neste sentido, produto de base ou matéria-prima imprescindível. Acreditem em quem quiserem. (Continua)


(*) HONÉIA VAZ é jornalista em Cuiabá. E-mail: honeia_vaz@homail.com.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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