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Artigos Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026, 10:20 - A | A

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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026, 10h:20 - A | A

EDUARDO DREYER

Saber fazer perguntas para IA pode se tornar uma habilidade profissional

EDUARDO DREYER

EDUARDO DREYER

Imagine dois profissionais utilizando exatamente a mesma Inteligência Artificial, os dois têm acesso ao mesmo modelo. Os dois fazem perguntas. Os dois trabalham na mesma empresa. Mesmo assim, um deles consegue resultados muito melhores. A diferença pode não estar na tecnologia.

Pode estar na pergunta.
Um pergunta:

“Crie uma estratégia de vendas.”

O outro escreve:

“Tenho uma empresa que vende equipamentos para pequenas oficinas. Minha equipe comercial possui três vendedores e atualmente conseguimos cerca de 20 novos clientes por mês. Quero aumentar esse número nos próximos três meses, sem aumentar a equipe. Quais estratégias posso testar, quais indicadores devo acompanhar e quais informações você precisa conhecer antes de sugerir um plano?”

Os dois fizeram uma pergunta.
Mas provavelmente receberão respostas muito diferentes.
A diferença não está na Inteligência Artificial.
Está na capacidade de fazer a pergunta.

Tenho percebido que, quanto mais utilizamos IA, mais importante se torna saber explicar aquilo que realmente queremos.
Isso não significa que todos precisam se tornar especialistas em tecnologia ou aprender dezenas de técnicas de prompt, significa entender que uma boa resposta normalmente começa com uma boa pergunta.

Quando conversamos com outra pessoa, fazemos isso naturalmente. Se precisamos da ajuda de um especialista, explicamos o problema, damos contexto, apresentamos o que já sabemos e deixamos claro o que precisamos.
Com a Inteligência Artificial deveria ser parecido.

Quanto melhor conseguimos explicar o problema, o objetivo e o contexto, maiores são as chances de obter uma resposta realmente útil.
Mas existe um detalhe ainda mais importante.
Saber fazer perguntas não significa apenas saber perguntar para a IA.
Significa saber pensar sobre o problema antes de perguntar.
Imagine um profissional que recebe um relatório com dezenas de páginas.
Ele poderia simplesmente pedir:
“Resuma este documento.”

Ou poderia perguntar:

“Analise este relatório como se você fosse um gestor comercial. Identifique os três principais problemas apresentados, explique quais indicadores sustentam essas conclusões e sugira quais pontos deveriam ser investigados antes de tomar uma decisão.”

A segunda pergunta exige que a pessoa saiba o que está procurando.
E esse é um ponto cada vez mais importante no ambiente profissional.

A Inteligência Artificial está ficando muito boa em produzir respostas. Por isso, talvez a vantagem não esteja apenas em quem sabe utilizar a ferramenta, mas em quem consegue fazer perguntas melhores.

O profissional que sabe perguntar consegue explorar diferentes possibilidades.
Pode pedir uma segunda opinião.
Pode questionar uma conclusão.
Pode solicitar cenários diferentes.
Pode pedir que uma informação seja explicada de outra maneira.
Pode identificar aquilo que ainda não sabe.

A IA passa a ser menos uma ferramenta para simplesmente gerar conteúdo e mais uma espécie de parceira para pensar sobre um problema.
Mas isso também precisamos ter uma visão crítica.

Uma pergunta bem formulada não garante que a resposta esteja correta.
A Inteligência Artificial pode apresentar informações equivocadas, interpretar um contexto de maneira errada ou até criar uma resposta convincente sem que ela tenha fundamento.

Por isso, é importante saber perguntar e saber avaliar a resposta.
Esse talvez seja um dos grandes desafios profissionais nesses tempos atuais.

O World Economic Forum, no Future of Jobs Report 2025, colocou o pensamento analítico entre as principais habilidades para os profissionais, enquanto Inteligência Artificial e big data aparecem entre as habilidades que mais devem crescer em importância nos próximos anos.

Quanto mais a tecnologia evolui, mais importante se torna a capacidade humana de interpretar, questionar e tomar decisões.
A IA pode apresentar dez possibilidades em poucos segundos.

Mas quem decide qual delas faz sentido para aquele negócio continua sendo a pessoa.

Hoje o diferencial está em transformar uma dúvida em uma boa pergunta, uma pergunta em uma análise e uma análise em uma decisão.
Porque uma Inteligência Artificial pode ter milhões de respostas.
Mas o valor continua começando pela pergunta certa.

(*) EDUARDO DREYER é graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Engenharia de Software e MBA em Inteligência Artificial e Automação de Negócios. Atua com tecnologia e transformação digital.

 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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