Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 07:43 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 07h:43 - A | A

FLÁVIO GARCIA

A eleição do silêncio: a apatia do eleitor e a névoa na disputa em Mato Grosso

FLÁVIO GARCIA

FLÁVIO GARCIA

Com quatro décadas de batente no jornalismo político de Mato Grosso, vi de tudo um pouco neste estado. Acompanhei os tempos áureos do jornalismo impresso, quando o barulho das rotativas nas madrugadas antecipava as grandes viradas políticas e o cheiro de tinta nas bancas ditava o tom do debate público.

Vi campanhas inflamadas, comícios históricos nas Praças Alencastro e da República e ruas tomadas por bandeiras e carreatas que sacudiam a capital e o interior. No entanto, o cenário que se desenha diante dos nossos olhos no atual pleito eleitoral é absolutamente inédito. Vivenciamos, pela primeira vez na história recente, a “eleição do silêncio”.

Trata-se de uma disputa esquisita, travada sob um manto de aparente apatia popular. Não se percebe nas ruas aquele fervor característico dos anos anteriores. Os seis candidatos que postulam a vaga ao Palácio Paiaguás parecem caminhar em um terreno minado por um eleitorado arredio, que escuta muito, fala pouco e custa a se empolgar.

A falta de um franco favorito a esta altura do campeonato reflete esse desinteresse velado, ou talvez um desencanto profundo com a classe política tradicional, mantendo o quadro aberto e imprevisível.

Essa frieza se reflete claramente na paisagem urbana. Em pleitos passados, a frota de veículos do estado transformava-se em um verdadeiro outdoor ambulante. Hoje, os poucos carros adesivados que circulam exibem, em sua maioria, apenas material de candidatos às cadeiras proporcionais e ao Senado.

Os governáveis parecem ter perdido o protagonismo do vidro traseiro. E o diagnóstico não é exclusivo da disputa estadual: o quadro espelha perfeitamente a eleição para a Presidência da República, onde o ruído das redes sociais contrasta com o silêncio desconcertante do cotidiano do cidadão comum.

O paradoxo fica ainda mais evidente ao analisarmos o perfil do nosso estado. Mato Grosso consolida-se como um território eminentemente conservador, de direita e de forte alinhamento bolsonarista. Contudo, em vez de ver essa hegemonia ideológica traduzida em festa ou mobilização efusiva nas ruas, o que presenciamos é uma disputa polarizada de tom pragmático e cauteloso entre a direita (dividida em dois candidatos) e a esquerda.

O eleitor mato-grossense parece ter adotado a postura do observador atento: guarda seu voto em segredo, analisa a movimentação dos bastidores e deixa a resposta final para o silêncio das urnas.

(*) FLÁVIO GARCIA é jornalista em Mato Grosso, atualmente servidor da Assembleia Legislativa.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros