Artigos Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011, 22:38 - A | A

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011, 22h:38 - A | A

Quando!

O programa de maior audiência na televisão mato-grossense atualmente é um noticiário noturno, que tem como âncora um cuiabaníssimo comandante. Refiro-me ao programa “Resumo do Dia”, com Roberto França.

GABRIEL NOVIS NEVES

Steffano Scarabottolo

O programa de maior audiência na televisão mato-grossense atualmente é um noticiário noturno, que tem como âncora um cuiabaníssimo comandante. Refiro-me ao programa “Resumo do Dia”, com Roberto França.

O seu sucesso deve-se, entre outros fatores, à simplicidade e autenticidade como ele é apresentado. Valoriza, e muito, o nosso jeito peculiar de comunicação oral – o linguajar cuiabano.
O cuiabano fala com a voz e com o corpo, e o Roberto França faz exatamente isso na televisão.

A vinheta para as “notícias que serão manchetes amanhã” é um exemplo: “Girando, girando, girando”, fala o apresentador - acompanhado com o girar do dedo indicador, com o braço em extensão.

Conheço gente que espera o girando, girando para dormir, mesmo tendo que acordar madrugada para a missa de São Benedito.

Justificam dizendo que dormir informado compensa, pois não dá pesadelo.

Nesse girando, girando, do Resumo do Dia, há coisas que passam despercebidas para grande parte da nossa população.

Até há pouco tempo, sem o menor esforço, sabíamos os nomes dos ministros do Brasil, tarefa hoje impossível, a não ser com o auxílio de uma boa agenda eletrônica.

Quando FHC deixou o poder em 2002, o número de ministros estava inchado. Eram 24 as Excelências do primeiro escalão do governo, como fazem questão de serem chamados.

Em 9 anos de um governo popular, esse número elevou-se para 38! Houve um aumento de 58% de ministros no Brasil, em uma verdadeira inflação de inutilidades.

Existem ministérios que foram criados apenas como prêmio de consolação para alojar os amigos derrotados nas urnas.

Citarei uma pequena amostra desses ministérios que representam verdadeiras sangrias no dinheiro do pagador de impostos.

Esses especiais ministérios da inutilidade pública possuem uma estrutura fenomenal de DAS (os famosos funcionários sem concurso chamados de comissionados) para sustentá-los, com todas as vantagens imagináveis que o cargo os oferece, sendo o cartão corporativo a grande estrela dessa constelação de privilégios.

Outros benefícios são publicados semanalmente na revista Veja, para satisfação da indústria farmacêutica de tranquilizantes.

Vamos aos nomes destes curiosos ministérios: Ministério da Pesca; do Desenvolvimento Agrário; dos Direitos Humanos; da Igualdade Racial; das Políticas para a Mulher; dos Portos e outros que agora me foge à lembrança.

Todos sabem também da abertura de embaixadas brasileiras em lugares que nem a NASA sabe onde fica, e o dinheiro que isso representa para o Tesouro Nacional.

A meta da presidente é exterminar, no seu governo, a miséria e a fome. Belo e humano projeto de governo, mas, que precisará de dinheiro.

Com a redução desses 38 ministérios com as suas “decorações de fantasmas,” teríamos recursos financeiros suficientes para sustentar o projeto de erradicação da miséria no Brasil.

O melhor é que se cortar pela metade esses monstrengos da Esplanada dos Ministérios, ninguém sentirá falta deles.

Presidente!

Não fique com receio de perder a fisiológica base de sustentação do governo no Congresso. Faça a opção pelos miseráveis. Mande para o lixão os ameaçadores fisiológicos da tal base da governabilidade.

A base da governabilidade será atender os pobres, e não, a ponta viciada da pirâmide que caiu feito dominó no primeiro ano do governo de Vossa Excelência.

O pior é que os motivos da demissão espontânea desses auxiliares, não foram dos mais nobres.

Girando, girando... Senhora Presidente!

Diminuição desse Estado gigante herdado, nem se for cirúrgico.

É o presente que esperamos de final de ano.

Poderia ser a notícia do girando, que seria manchete no dia seguinte.

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor fundador da UFMT e colaborador de HiperNoticias. E-mail: borbon@terra.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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