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Artigos Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026, 08:31 - A | A

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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026, 08h:31 - A | A

ROSANA DE BARROS

Janis Joplin

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS

A musicista Janis Lyn Joplin nasceu em 19 de janeiro do ano de 1943 no Texas, e deixou o mundo da matéria precocemente aos 27 anos, em 04 de outubro de 1970, na Califórnia. 

Ela é um ícone feminista e de liberdade que desafiou as normas de gênero com a sua voz poderosa e o estilo de vida bastante transgressor. A artista dominou a indústria da música, tornando-se pioneira ao abrir caminho para outras mulheres no rock e no blues. 

Janis Joplin não foi apenas uma cantora extraordinária. Mas, uma mulher que desafiou frontalmente o que se esperava de mulheres em seu tempo, e, em muitos aspectos, ainda hoje. Em um cenário musical maciçamente de homens, onde às mulheres cabia a delicadeza, a contenção e a subserviência estética, Janis escolheu o grito. E esse grito, quando vem delas, quase sempre é tratado como excesso, desvio ou escândalo. 

Nos anos 1960, enquanto o rock se consolidava como território masculino, ela subiu aos palcos sem pedir licença. Não suavizava a sua voz para agradar, e nem performava feminilidade domesticada. Seu corpo suado, sua voz rasgada e sua entrega visceral contrariavam o imaginário social aceitável. Por isso, foi constantemente chamada de “descontrolada”, “autodestrutiva”, “instável”, por se recusar a caber em moldes estreitos. 

Ao entoar os seus blues, Janis politizava, se tornando uma experiência encarnada. Ao interpretar canções sobre abandono, desejo, solidão e liberdade, expunha as contradições impostas às mulheres: desejar sem ser julgada, amar sem ser anulada, e existir sem pedir desculpas. 

A recusa de Janis em performar delicadeza encontra eco em Virginia Woolf, quando afirma que uma mulher precisa de “um teto todo seu” para criar. Janis construiu esse teto com o próprio corpo, enfrentando hostilidade, ridicularização e isolamento. Não era apenas sua música que incomodava, mas o fato de uma mulher ocupar o centro do palco sem mediação masculina, sem suavizar o tom, sem caber no ideal de musa ou coadjuvante. 

A morte precoce da artista foi romantizada, mas não deve ser lida como destino inevitável de uma artista intensa. Deve servir de alerta. Mulheres que vivem à margem das expectativas sociais pagam um preço alto pela liberdade. Janis viveu pouco, porém viveu inteira. E isso, para uma mulher, sempre foi um ato radical. 

Relembra-la é mais do que homenagear uma cantora. É reafirmar o direito das mulheres à voz, ao excesso, à contradição e à potência. Em um mundo que ainda tenta silenciar mulheres que falam “alto”, Janis continua ecoando como alguém que não deve morrer ou ser esquecida. 

Ela teve a voz como insurgência. Conforme propõe Judith Butler, o corpo de Janis foi dissidente. Um corpo que cuidou do gênero fora da norma, recusando a feminilidade polida. Foi taxada de instável, autodestrutiva e incontrolável, que são rótulos de pessoas que vivem com intensidade. 

Janis Joplin lutou com a sua mais importante arma: a voz. Ao revisitar a sua história é de se reconhecer que foi e será resistência.
  

(*) ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual, mestra em Sociologia pela UFMT, doutoranda em Educação pela UFMT, membra do IHGMT e da Academia Mato-grossense de Direito na Cadeira 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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