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Brasil Quarta-feira, 11 de Março de 2026, 10:20 - A | A

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Quarta-feira, 11 de Março de 2026, 10h:20 - A | A

R$ 65,1 BI EM DÍVIDAS

Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial

Pedido protocolado na Justiça de SP busca garantir fôlego financeiro enquanto empresa negocia aporte e venda de ativos.

G1

A empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis enfrenta pressão financeira e busca negociar e reorganizar suas dívidas bilionárias, além de débitos entre empresas do próprio grupo.

A Raízen anunciou nesta quarta-feira (11) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, em meio a negociações com credores para renegociar dívidas e reforçar o caixa da empresa.

Em comunicado, a empresa informou que o pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo e foi estruturado em acordo com seus principais credores quirografários.

Credores quirografários são aqueles que têm valores a receber da empresa, mas não contam com garantias específicas, como imóveis ou máquinas. Isso significa que, em processos de renegociação ou recuperação, eles ficam atrás de credores que têm bens dados como garantia. Nessa categoria podem estar bancos, investidores ou fornecedores que concederam crédito sem exigir garantias.

O objetivo é criar um ambiente jurídico mais seguro para negociar e reorganizar as dívidas financeiras do grupo, que somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo.

Segundo a companhia, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas sem garantia, percentual suficiente para apresentar o pedido de recuperação extrajudicial.

A recuperação extrajudicial é um acordo em que a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, sem a mediação inicial da Justiça. O objetivo é conseguir mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência.

A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja aprovado pela Justiça e passe a valer para todos os credores incluídos na negociação.

O plano pode incluir aporte de dinheiro pelos acionistas, transformação de parte das dívidas em ações da empresa, troca de débitos por novos prazos de pagamento, mudanças na estrutura da companhia e venda de ativos.

“A recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, disse a empresa em comunicado.

A empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis enfrenta pressão financeira após ver sua dívida líquida chegar a R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro, segundo dados divulgados anteriormente.

Nas últimas semanas, a controladora Cosan (CSAN3) vinha indicando que uma solução para a situação da empresa poderia ser anunciada em breve, segundo a Reuters.

Em teleconferência com analistas, o CEO da companhia, Marcelo Martins, afirmou que as negociações avançavam com credores e acionistas.

“Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse Martins.
A Raízen já havia informado que avaliava uma proposta de capitalização liderada pela Shell, no valor total de R$ 4 bilhões.

O plano previa um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto.

Na prática, esse dinheiro entraria na empresa como novo capital, fortalecendo o caixa e ajudando a equilibrar as finanças enquanto a companhia renegocia suas dívidas.

Em comunicado divulgado no final de fevereiro, a companhia afirmou que também analisava reestruturar suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial.

Segundo Martins, já havia “um engajamento bastante forte” nas conversas envolvendo credores, a Shell e o próprio Ometto, que integra o grupo controlador da Cosan.

Tentativa de reorganização
A situação financeira da Raízen se deteriorou nos últimos anos em meio a altos investimentos, condições climáticas instáveis que afetaram as safras — resultando em desempenho mais fraco na moagem de cana e nos preços do açúcar — e juros elevados, fatores que pressionaram o caixa da companhia.

No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado em dezembro de 2025, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões. Grande parte desse resultado foi causada por um ajuste contábil de R$ 11,1 bilhões no valor de alguns ativos. Sem esse efeito, a perda teria sido de cerca de R$ 4,5 bilhões.

No período, a empresa teve receita de R$ 60,4 bilhões, queda de 9,7% em relação ao ano anterior. A dívida líquida chegou a R$ 55,3 bilhões. Diante desse cenário, a companhia vem executando um plano para reduzir custos, vender ativos e diminuir o endividamento.

Em 2024, a Raízen esteve entre as empresas do setor sucroenergético afetadas por incêndios que atingiram o interior de São Paulo. Na ocasião, as queimadas impactaram cerca de 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.

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