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Artigos Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, 09:32 - A | A

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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, 09h:32 - A | A

ROBERTA HERINGER

Inteligência artificial, deepfakes e o desafio real das eleições

ROBERTA HERINGER

Entre um vídeo e outro, surge um anúncio. Uma criança triste pede ajuda para poder se alimentar. Abaixo, um botão convida à doação para ela e para outras crianças que vivem em um orfanato.

No grupo da família, aquele tio compartilha um vídeo em que uma bela criança é resgatada do mar por uma ave, que a deposita em segurança na praia. Ele comenta emocionado: “Que coisa linda, Deus é perfeito”.

O que essas duas cenas têm em comum? Ambas envolvem vídeos gerados por inteligência artificial com um nível de realismo capaz de confundir até os olhares mais atentos.

Essa mesma tecnologia está presente em ferramentas como o Grok, inteligência artificial integrada à plataforma X, antigo Twitter e vem recebendo denúncias inúmeras denúncias. O Grok amplia de forma significativa a capacidade dos usuários de criar imagens e vídeos sintéticos altamente realistas. Na prática, isso significa que qualquer pessoa, com poucos comandos, pode gerar conteúdos que simulam pessoas reais em situações que nunca existiram. Esse avanço tem sido amplamente criticado por permitir, inclusive, a criação de vídeos e imagens de cunho erótico ou sexual com o rosto de mulheres reais, sem qualquer tipo de consentimento. Trata-se de uma violação grave de direitos, já denunciada por organizações de defesa da privacidade e dos direitos digitais, e que expõe o potencial destrutivo do uso irresponsável da inteligência artificial.

E o que isso tem a ver com as eleições? Tudo. Absolutamente tudo.

Se em 2018 o Brasil enfrentou uma avalanche de fake news disparadas em velocidade vertiginosa nos grupos de WhatsApp, o desafio agora é ainda mais complexo: minimizar os impactos da circulação massiva de deepfakes, vídeos sintéticos criados por inteligência artificial que simulam falas, gestos e situações que jamais aconteceram.

As redes sociais afirmam sinalizar conteúdos gerados por inteligência artificial. No entanto, nem sempre conseguem identificá-los corretamente. Quando conseguem, muitas vezes essa sinalização passa despercebida pelos usuários. Se nas plataformas abertas o controle já é um desafio, nos aplicativos de mensagem privada a disseminação desse tipo de conteúdo se mostra ainda mais difícil de conter.

É nesse contexto que aquele mesmo tio, tocado pelo vídeo do pássaro resgatando a criança no mar, pode receber e compartilhar, com a mesma boa-fé, um vídeo falso de um político dizendo absurdos ou sendo colocado em situações vexatórias e inverossímeis. O impacto emocional vem antes da checagem. E, muitas vezes, a checagem sequer acontece.

O Tribunal Superior Eleitoral tem adotado uma postura cada vez mais rigorosa em relação ao uso de inteligência artificial nas campanhas, impondo regras, exigindo transparência e prevendo sanções. Ainda assim, a tecnologia avança em uma velocidade superior à capacidade de reação institucional, jurídica e social.

Conter o avanço das deepfakes e reduzir sua ameaça ao processo democrático exigirá um esforço coletivo envolvendo plataformas digitais, Justiça Eleitoral e imprensa. Mas isso não será suficiente.

Acima de tudo, o grande desafio continua sendo o mesmo desde 2018: educar. Educar para o consumo crítico da informação, para a desconfiança saudável diante de conteúdos sensacionalistas e para a compreensão de que nem tudo o que parece real, de fato é.

Em 2026, as equipes de campanha enfrentarão um cenário inédito e árduo. A dimensão real desse desafio só poderá ser mensurada ao longo do processo eleitoral. E, como já aprendemos antes, será preciso, mais uma vez, redesenhar a rota em pleno percurso.

(*) ROBERTA HERINGER é Estrategista digital para perfis políticos e criadora do Estratégia Política Digital.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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