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Artigos Terça-feira, 31 de Março de 2026, 13:33 - A | A

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Terça-feira, 31 de Março de 2026, 13h:33 - A | A

FERNANDA ESCOUTO

Fazer o bem, sem olhar a quem

FERNANDA ESCOUTO

Fazer o bem parece algo simples. Desde cedo, aprendemos, e aqui também me incluo, que ajudar o outro é o caminho certo, seja por valores familiares, por princípios morais ou simplesmente pela fé. Mas, quando paramos para pensar com mais calma, surge uma pergunta importante: por que fazemos o bem?

A resposta nem sempre é tão óbvia quanto parece. Quando olhamos com mais atenção, percebemos que o ato de ajudar também diz muito sobre quem ajuda. Existe, muitas vezes, um retorno interno, uma sensação de tranquilidade ou de dever cumprido.

Mas essa percepção abre espaço para uma reflexão mais profunda. Se fazer o bem também nos faz sentir melhor, será que, em alguma medida, fazemos isso por nós mesmos? É possível que, por trás de muitos gestos, exista um certo egoísmo camuflado, não no sentido de anular a importância da atitude, mas de reconhecer que o bem também pode atender a uma necessidade interna de se sentir mais leve ou em paz consigo mesmo.

Em diferentes religiões, o bem está ligado à evolução, ao crescimento interior e à forma como nos relacionamos com o outro e com o mundo. Fazer o certo, evitar o mal, buscar equilíbrio.

Muitos ensinamentos, como os propagados por Cristo, apontam para algo mais profundo: amar o próximo como a ti mesmo, de forma intensa e verdadeira.

Esse tipo de postura não depende de troca. Não é feita esperando reconhecimento ou recompensa. É um convite a fazer o bem porque ele é, por si só, o caminho.

Não compreendo muito sobre filosofia, mas, como uma “religiosa afastada”, já estudei um pouco e cheguei a um texto de Immanuel Kant que, de forma resumida, dizia que agir esperando algum tipo de retorno é uma atitude pequena.

Para ele, fazer o bem deveria ser algo desinteressado. Fazer o bem simplesmente porque é o certo a se fazer, e não porque isso garante qualquer tipo de recompensa, como uma vaga no céu.

Essa reflexão leva a uma pergunta simples, mas incômoda: se não existisse nenhuma recompensa depois de tudo, você ainda escolheria fazer o bem?

Voltando às ideias de Kant, o que vale mais: o céu estrelado acima de mim ou a lei moral dentro de mim?

(*) FERNANDA ESCOUTO é Jornalista.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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