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Artigos Sábado, 03 de Janeiro de 2026, 10:31 - A | A

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Sábado, 03 de Janeiro de 2026, 10h:31 - A | A

OLIVEIROS MARQUES

É o petróleo, imbecil!

OLIVEIROS MARQUES

Toda vez que a retórica moralista volta a apontar o dedo para a Venezuela, convém perguntar, sem ingenuidade: a quem interessa? O atual ataque político, diplomático, midiático, e agora, militar conduzido pelos Estados Unidos contra o povo venezuelano - que chega ao ponto de tratar como aceitável o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa - não tem nada de novo. Tampouco tem relação real com o combate ao tráfico de drogas, bandeira cínica que Washington levanta conforme a conveniência do momento. O que está em jogo, mais uma vez, é o petróleo. Muito petróleo.

A Venezuela abriga uma das maiores reservas petrolíferas do planeta. Esse dado, por si só, explica mais do que mil discursos sobre “democracia”, “direitos humanos” ou “guerra às drogas”. Sempre que um país do Sul Global decide exercer soberania sobre seus recursos estratégicos, passa a ser enquadrado como ameaça. E, nesse enquadramento, as grandes empresas petrolíferas norte-americanas não são meras espectadoras: são cúmplices. Cúmplices porque lucram, direta ou indiretamente, com sanções, desestabilizações e mudanças forçadas de regime que reabrem mercados, flexibilizam legislações e entregam riquezas nacionais ao capital estrangeiro.

Isso não significa, e é preciso deixar claro, fazer defesa acrítica do governo Maduro. Inúmeras críticas podem - e devem - ser feitas à condução política, econômica e institucional da Venezuela. Problemas internos, autoritarismo, erros de gestão e violações ao processo democrático não desaparecem porque o regime venezuelano fora alvo do imperialismo norte-americano. Mas uma coisa é a crítica legítima; outra, completamente distinta, é a violação da autonomia de um povo e do direito que regula a relação entre as nações do Globo.

Nenhum país tem o direito de sequestrar lideranças estrangeiras, impor bloqueios econômicos que castigam populações inteiras ou agir como polícia do mundo atacando territórios de outros países, impondo perda de vidas, inclusive de civis, em nome de interesses privados travestidos de valores universais. Esse tipo de intervenção não apenas agrava o sofrimento social como cria precedentes perigosos, corroendo as já frágeis bases da ordem mundial.

Para a América Latina, o recado é alarmante. Ataques à soberania venezuelana representam um grave risco regional. E para o Brasil, em particular, o alerta é ainda mais concreto: somos país fronteiriço, diretamente impactado por qualquer escalada de tensão, instabilidade política ou crise humanitária. Fingir neutralidade diante disso é irresponsabilidade.

No fim das contas, o roteiro é conhecido. Mudam-se os pretextos, repetem-se os métodos. Quando se rasga o verniz, resta a verdade incômoda: não é sobre drogas, não é sobre democracia. É sobre petróleo. Sempre foi.

(*) OLIVEIROS MARQUES é sociólogo, publicitário e comunicador político.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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