Depois de perderem as eleições no Brasil, muitos eleitores bolsonaristas começaram articular um pacote de maldades exigindo a demissão em massa de pessoas que exerceram o seu direito de expor o voto em Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana da vitória recebi duas mensagens. A primeira de minha sobrinha ameaçada por um médico dentro do hospital onde ela trabalha. A outra, do meu aluno que havia acabado de ser demitido e dizia que não iria à aula porque estava processando a situação.
Quem são essas pessoas que, diante de uma vitória de virada espetacular do maior líder das Américas, sentiram-se impelidas a quebrar o nariz de um pastor de 70 anos, na cidade de Goiânia, porque ele estava com uma camisa vermelha; a matar, por espancamento, um engenheiro de 30 anos, em Santos, por ele estar em comemoração pela reeleição de Lula; ou recorrer às redes sociais para exigir a demissão de pessoas que votaram de maneira diferente, sem compreender a dimensão que esse tipo de atitude provoca na vida de cada cidadão?
Em Barra do Garças, uma empresária fez isso. Diante de sua câmera de celular gravou uma cara ainda vermelha pelo choro livre que a derrota lhe provocara. Vociferava, exigia, expunha toda a sua arrogância para pedir que se demitissem os “petistas” e que somente os verdadeiros “patriotas” recebessem ajuda e emprego. Pela análise corporal e pelos gestos, era possível entender o que Manuela D’ávila apontou como pessoas que amam as coisas e usam as pessoas.
Esse narcisismo e a intenção de aniquilar o outro são parte do modus operandi do bolsonarismo. É a maldade que não tem vergonha de se expor. Pessoas como essa empresária fazem isso pensando no futuro. Acenam para o seu possível eleitorado. Ela quer se eleger. Daqui dois anos é provável que se candidate novamente para vereadora de Barra do Garças. Quando este tempo chegar precisamos ter memória, e lembrar da manifestação, do desejo e do querer prejudicar o outro porque pensa diferente. Afinal, uma vereadora trabalha apenas para um reduto eleitoral ou para toda a população da cidade?
Embora sejamos 64,25 milhões (dados do TSE) de pessoas a votar em Lula e nos sintamos vitoriosos em uma eleição que foi observada com muito entusiasmo no mundo inteiro, precisamos compreender que 59,82 milhões de pessoas votaram em Bolsonaro. Ações fascistas como as que foram divulgadas em vários pontos do país devem ser combatidas com educação, letramento midiático e coragem.
(*) ALIANA CAMARGO é Jornalista e educadora. (30 outubro 2026).
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