Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026, 10:07 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026, 10h:07 - A | A

SUELY FERNANDES

Quando as diferenças se tornam maiores que o respeito

SUELY FERNANDES

SUELY FERNANDES

Há algo preocupante acontecendo em nossa sociedade: estamos permitindo que nossas opiniões se tornem maiores do que os nossos vínculos. Pessoas que compartilharam histórias, alegrias, dificuldades e tantos momentos importantes agora se afastam porque pensam de maneira diferente sobre política, religião ou questões sociais. Como se uma divergência de pensamento fosse suficiente para apagar tudo aquilo que um dia as aproximou.

É preciso refletir sobre isso.

Ter opiniões próprias é um exercício de liberdade. Defender aquilo em que acreditamos é um direito e, muitas vezes, uma demonstração de consciência e responsabilidade. O problema começa quando deixamos de apresentar nossas ideias e passamos a exigir que os outros adotem as nossas. Quando a convicção se transforma em arrogância, o diálogo perde espaço, a escuta desaparece e o respeito passa a depender da concordância.

Não precisamos pensar da mesma maneira para convivermos em harmonia. Não precisamos professar a mesma fé, apoiar os mesmos representantes ou compartilhar as mesmas interpretações da realidade para reconhecer a dignidade de quem está ao nosso lado. A diversidade de pensamentos não é uma ameaça à convivência; é uma característica natural da humanidade.

O perigo está no momento em que deixamos de enxergar pessoas e passamos a enxergar apenas posições. Quando alguém deixa de ser reconhecido por sua história, seu caráter e suas atitudes e passa a ser definido exclusivamente por aquilo em que acredita, perdemos a capacidade de olhar o outro em sua inteireza.

É assim que pequenas intolerâncias ganham espaço. Primeiro, deixamos de ouvir. Depois, começamos a julgar. Em seguida, criamos distâncias, alimentamos ressentimentos e justificamos atitudes que, em outras circunstâncias, consideraríamos inaceitáveis. Pouco a pouco, construímos muros onde antes existiam pontes.

E o mais contraditório é que, enquanto discutimos para provar quem está certo, muitas vezes nos esquecemos daquilo que verdadeiramente importa: a maneira como tratamos uns aos outros.

De que adianta defender a justiça se não conseguimos ser justos com quem pensa diferente? De que adianta falar de amor, fé e humanidade se condicionamos o respeito à concordância? De que adianta lutar por uma sociedade melhor se, nas pequenas relações cotidianas, não conseguimos praticar aquilo que exigimos do mundo?

A coerência também precisa existir na convivência.

Isso não significa abandonar princípios, silenciar diante das injustiças ou aceitar ideias que ferem a dignidade humana. Significa compreender que firmeza não exige agressividade, que discordar não autoriza humilhar e que defender uma convicção não nos concede o direito de diminuir ninguém.

A maturidade está em conseguir sustentar uma opinião sem transformar o outro em adversário. Está em reconhecer que podemos aprender até mesmo com quem não concorda conosco e que ninguém possui o monopólio absoluto da verdade. Afinal, todos somos seres em construção, limitados por nossas experiências, percepções e conhecimentos.

Talvez precisemos recuperar uma capacidade que parece cada vez mais esquecida: a de conversar sem querer vencer, ouvir sem preparar imediatamente uma resposta e discordar sem romper os laços de consideração.

A vida é breve demais para desperdiçarmos relações preciosas em disputas nas quais a necessidade de ter razão acaba custando a possibilidade de permanecer junto. Há amizades que levaram anos para serem construídas e que não deveriam ser descartadas por divergências que poderiam ser tratadas com respeito e equilíbrio.

No fim, nossas escolhas políticas passarão por eleições, nossos posicionamentos poderão mudar com o tempo e nossas convicções continuarão sendo amadurecidas pelas experiências. Mas a humanidade que demonstramos nas relações deixa marcas muito mais profundas.

Que jamais sejamos tão apaixonados por nossas ideias a ponto de perdermos a capacidade de amar, respeitar e reconhecer o valor de quem pensa diferente.

Porque uma sociedade verdadeiramente evoluída não é aquela em que todos concordam, mas aquela em que ninguém precisa deixar de ser respeitado por discordar.

Que tenhamos coragem para defender nossas convicções, sabedoria para reconhecer nossos limites e, sobretudo, humanidade para compreender que, antes de qualquer posição que ocupamos, somos pessoas compartilhando a mesma existência.

Afinal, não precisamos estar do mesmo lado em todas as ideias para permanecermos do mesmo lado naquilo que realmente importa: a construção de um mundo mais justo, fraterno e humano.

A qualidade de nossas relações também revela o grau de evolução da nossa consciência.

(*) SUELY FERNANDES é servidora pública e autora de textos de reflexão sobre autoconhecimento, valores e espiritualidade.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros