O senador e candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), afastou os rumores de "saia justa" ou isolamento político após ficar de fora de um almoço empresarial em Cuiabá que contou com a presença do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Fagundes explicou que a ausência de agentes políticos locais nas agendas de Marinho foi uma diretriz estratégica e planejada, uma vez que a missão do coordenador nacional no estado tinha foco estritamente financeiro, voltada para a captação de recursos junto a empresários do agronegócio.
“Nós definimos que o Rogério Marinho, como senador da República, seria o coordenador. [...] Eu entendo que uma campanha de arrecadação para a campanha nacional não cabe candidato local”, afirmou Wellington, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (25).
Wellington revelou ainda que a dinâmica foi previamente debatida e acordada em Brasília pela cúpula partidária, defendendo que eventos voltados a doações via CPF de produtores rurais não devem ser misturados com disputas eleitorais locais.
“Sim, não só fui convidado, mas nós, com calma, tratamos do assunto lá em Brasília como seria desenvolvida a campanha. Todas as terças-feiras nós nos reunimos com o partido”, esclareceu.
BASTIDORES EXPÕE RACHA NO PL
Apesar da justificativa técnica apresentada pelo candidato, o almoço realizado na última sexta-feira (21), no Restaurante Mahalo, em Cuiabá, evidenciou as profundas divisões que cercam a base aliada do PL no estado. O encontro reuniu empresários e lideranças bolsonaristas, mas chamou a atenção pela presença de figuras políticas ligadas ao grupo do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), principal adversário de Fagundes na disputa eleitoral.
Entre os participantes do almoço estavam Cidinho Santos (PP), suplente ao Senado e aliado do grupo de Pivetta, e o ex-deputado Nilson Leitão (PP). A organização do evento ficou a cargo do empresário Odílio Balbinotti Filho (PL), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso e primeiro suplente de José Medeiros (PL) ao Senado.
A ala mais ideológica e ligada ao bolsonarismo raiz resiste à candidatura de Wellington devido ao seu histórico de alianças passadas com partidos do campo progressista e, mais recentemente, pela articulação de uma coligação estadual com o MDB da deputada Janaina Riva.
Setores do próprio PL, incluindo prefeitos do interior, têm demonstrado preferência pelo projeto político de Pivetta, alimentando um ambiente de desconfiança mútua que a campanha do senador tenta administrar.
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