A decisão do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de proibir a realização do primeiro campeonato de "farmar aura" na capital mato-grossense ganhou destaque nos principais veículos de imprensa do país nesta quinta-feira (23). A repercussão nacional do caso foi impulsionada tanto pela natureza inusitada da competição quanto pelas declarações do prefeito, que foram registradas por portais como O Globo e Folha de S.Paulo.
O evento, organizado pelo influenciador Cleo Astro e voltado ao público jovem, estava previsto para ocorrer no Parque das Águas, mas foi barrado pela gestão municipal sob justificativas técnicas, morais e de "interesse público". A gíria "farmar aura", popular entre a Geração Z, se refere ao acúmulo de prestígio, carisma ou estilo por meio de performances e atitudes, tendo origem no universo dos videogames.
Após a repercussão nacional, Abilio utilizou suas redes sociais para esclarecer que, embora encontros informais não sejam proibidos, a estrutura de um campeonato profissional exige trâmites legais que não foram seguidos.
“Só pra informar de forma técnica pra vocês: fazer concentração de pessoas em um parque, uma praça, em qualquer lugar, não tem problema nenhum. Por mais idiota que seja o comportamento, por mais besta que seja a postura, ou por mais insuportável que seja assistir, não tem problema nenhum haver uma concentração de pessoas”, declarou Brunini, na noite desta quinta-feira (23), em suas redes sociais.
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Na sequência, o gestor detalhou que sua intervenção ocorreu especificamente por se tratar de uma competição anunciada com premiações, o que alteraria a natureza do encontro para um evento oficial sem o devido licenciamento.
“O que acontece é que eu vi o vídeo falando que haveria um campeonato profissional, ou seja, um evento com premiação e tudo. Um campeonato profissional precisa de licença para acontecer dentro das áreas públicas, principalmente parques, praças e tudo mais. Então se for acontecer um encontro de pessoas com problemas emocionais, zero problema, apenas a vergonha alheia”, pontuou.
Por fim, Abilio alertou para as consequências jurídicas e administrativas caso a organização insistisse em realizar o torneio profissional no Parque das Águas sem o alvará.
“Agora se for acontecer um campeonato profissional, ou seja, um evento organizado com o responsável, aí terá penalidades, incluindo multas e outras ações. Recomendo que não se faça o campeonato sem licença. Encontrar pessoas estúpidas, tudo bem”.
O veto foi fundamentado na ausência de responsabilidade técnica e de pedido formal de uso do solo, além de críticas do prefeito que admitiu não compreender o conceito da gíria, chegando a declarar em coletiva: "Não tenho ideia, eu sou hétero".
Apesar da proibição no Parque das Águas, o organizador Cleo Astro afirmou que a competição seria mantida, buscando transferir o local para o Parque Tia Nair ou dependências universitárias. Segundo a Secretaria de Ordem Pública (SORP), a multa para o descumprimento pode chegar a R$ 10 mil.
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