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Política Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 19:31 - A | A

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 19h:31 - A | A

ANTÔNIO DE PAULA ASSUME

Jeferson Siqueira se licencia por 120 dias da Câmara em meio a disputa da mesa diretora

Vereador de oposição pede afastamento para tratar de interesse particular; suplente Antônio Lemes assume mandato até novembro

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

Danielly Santos/Câmara de Cuiabá

Jeferson Siqueira

O vereador Jeferson Siqueira (PSD) pediu licença de 120 dias da Câmara Municipal de Cuiabá para tratar de interesse particular, a partir de 17 de julho de 2026. Em seu lugar, assumiu o suplente Antônio Lemes de Paula, do mesmo partido. O afastamento ocorre em meio a um cenário de polarização política na Casa, marcado por disputas acirradas entre o Legislativo e o Executivo municipal.

O ato de licença foi publicado na Gazeta Municipal nº 1413, de 23 de julho de 2026, com base no artigo 21, inciso II, da Lei Orgânica Municipal. Jeferson permanecerá afastado até o dia 13 de novembro de 2026. A posse do suplente Antônio Lemes de Paula ocorreu em 21 de julho, em solenidade no gabinete da presidência da Câmara, conduzida pela presidente Paula Calil (PL) e pela 1ª secretária, vereadora Katiuscia Manteli.

O afastamento de Jeferson acontece em momento de intensa disputa política na Câmara. Nos últimos meses, o vereador protagonizou embates com o prefeito Abilio Brunini (PL) e com integrantes da base governista. Jeferson, que integra o bloco de oposição à gestão Abilio Brunini, foi protagonista de uma série de confrontos públicos com o prefeito e seus aliados ao longo de 2025 e 2026.

CONFIRA:

HISTÓRICO DE JEFERSON

Em fevereiro de 2025, Jeferson acusou Abilio de nepotismo ao citar colegas vereadores que teriam parentes nomeados na prefeitura, como Cezinha Nascimento (UB), Dilemário Alencar (UB) e Marcrean Santos (MDB) . O líder do governo na Câmara, Dilemário, rebateu as acusações afirmando que Jeferson estaria "magoado" por ter sido inviabilizado como candidato à presidência da Mesa Diretora .

Em outro episódio, Jeferson afirmou que Abilio "interferiu" no processo de escolha da Mesa Diretora e que essa interferência "custaria caro" ao prefeito. O vereador também acionou o prefeito eleito no Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, após Abilio levantar suspeitas sobre o envolvimento de parlamentares com facções criminosas.

As sessões da Câmara foram palco de constantes trocas de farpas entre Jeferson e os aliados do prefeito. Em março de 2025, o vereador apelidou Dilemário Alencar de "líder tatuzinho", em referência à mudança de postura do parlamentar, que antes criticava a gestão de Emanuel Pinheiro (MDB) e agora defende o governo Abilio. Dilemário, por sua vez, chamou Jeferson de "tchutchuca do Nenel", referindo-se ao ex-prefeito Emanuel.

Em setembro de 2025, Abilio e Jeferson trocaram farpas sobre a promessa do ministro Carlos Fávaro de liberar R$ 18 milhões para o Contorno Leste . O prefeito criticou a demora no repasse dos recursos, enquanto Jeferson desafiou Abilio a irem juntos buscar o dinheiro em Brasília.

Em outubro de 2025, Abilio fez piada com Jeferson e o vereador Dídimo Vovô após os dois serem barrados em uma fiscalização no Centro Médico Infantil, chamando-os de "puxa-sacos do Nenéu".

Em novembro de 2025, um assessor do gabinete de Jeferson foi preso por suspeita de receptação de veículo roubado, posse irregular de arma e uso de drogas. O vereador determinou o afastamento imediato do servidor e a presidente da Câmara, Paula Calil, exonerou o assessor.

Em janeiro de 2026, matéria do HNT revelou que Jeferson destinou R$ 1,2 milhão em emendas impositivas ao Instituto Premius de Desenvolvimento (IPD), cujo chefe de gabinete do vereador, Ronaldo Ferreira Moraes Reis, atua como representante da entidade, conforme apontou auditoria da Controladoria-Geral do Município.

Jeferson votou contra o parecer que permite a reeleição da mesa diretora, em votação apertada de 13 a 12 em julho de 2026, alinhando-se ao grupo contrário à presidente Paula Calil.

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