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Política Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 15:55 - A | A

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 15h:55 - A | A

GUERRA DO MICROFONE

Vereadoras acusam Abilio de transformar Câmara em 'circo' e prefeito rebate: 'querem impedir a imprensa'

Vereadoras do Republicanos e do Podemos questionam uso da recepção do Legislativo para ataques a parlamentares; chefe do Executivo alega liberdade de imprensa e nega irregularidades

BIANCA MORTELARO
Da redação

Reprodução

MAYSA LEÃO, ABILIO BRUNINI E KATIUSCIA MANTELLI

As vereadoras Katiúscia Mantelli (Podemos) e Maysa Leão (Republicanos) utilizaram a Tribuna, na sessão ordinária desta quinta-feira (23), para criticar as coletivas de imprensa realizadas pelo Prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) dentro da Câmara Municipal da capital. Em resposta, Brunini afirmou que qualquer empecilho neste sentido seria um “impedimento” ao trabalho da imprensa.

O mal-estar no Legislativo se intensificou após o prefeito utilizar as dependências da Casa para classificar os parlamentares como "ineficientes" e "despreparados", após a rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A vereadora Katiuscia Mantelli reagiu a essa postura, argumentando que o espaço parlamentar está sendo usado como palco para ataques contra os próprios membros da instituição.

“Infelizmente os vereadores e vereadoras desta casa têm sido atacados em todas as entrevistas do prefeito Abilio. E o pior é que agora, esses ataques, essas críticas, elas estão sendo feitas por coletivas dentro da própria Câmara de Vereadores. É uma casa do povo, vamos abrir para o povo, está tudo bem, mas nós abrirmos a nossa casa para sermos atacados, para sermos agredidos, para sermos criticados?”, questionou Katiuscia.

No mesmo sentido, a vereadora Maysa Leão apresentou um requerimento formal para que a recepção da Câmara deixe de ser utilizada como sala de imprensa privativa do prefeito. Leão destacou que a invasão de espaços reservados seria uma tentativa de influência do Executivo sobre a independência do Parlamento.

“O prefeito que não fica no sétimo andar e que transformou a recepção desta casa num circo. Você sai da sessão, você sai do seu trabalho e você não tem como passar pela recepção porque ali virou a sala de imprensa do prefeito. E essa sala de imprensa do prefeito está sendo utilizada para vilipendiar o nome de vereadoras”, afirmou.

Maysa também criticou uma mudança de tática feitar por Abilio, que teria passado a ocupar a recepção após questionamentos sobre o uso de salas oficiais de entrevista da Câmara. O prefeito, por sua vez, refutou qualquer irregularidade em sua presença no local, alegando que sua ida à Casa tem fins pessoais e políticos legítimos, como conversar com vereadores ou sua esposa, que também é parlamentar.

“Eu acredito que talvez ela esteja incomodada que vocês estão querendo saber a minha opinião ou saber o que eu tenho a dizer. Se ela está querendo fazer algum tipo de empecilho ou impedir a atividade da imprensa, aí eu acho que cabe a ela esse questionamento com a imprensa. Porque não é o fato de eu vir aqui na Câmara que tem essa finalidade. Eu venho na Câmara conversar com os vereadores, conversar com a minha esposa”, ressaltou Brunini.

Abilio ainda declarou que o trabalho da imprensa é questionar e que o desconforto gerado na Maysa seria derivado à falta de entrevistas da própria vereadora.

“Agora, quem decide fazer perguntas ou não fazer perguntas é a imprensa. Só se ela quiser fazer algum tipo de impedimento à atividade do jornalismo, né? De repente ela quer ser mais entrevistada. Se ela for na prefeitura façam entrevista para ela lá também, para ela se sentir à vontade”, finalizou.

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